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Indicado três vezes ao Oscar em sua trajetória como ator, Bradley Cooper transcende a fama de galã e arrebata elogios com "Nasce uma estrela"

Jornal do Brasil RODRIGO FONSECA *, Especial JB

Consagrado como astro há cerca de dez anos, quando “Se beber, não case” (2009) virou um fenômeno de bilheteria, Bradley Charles Cooper passou perto de levar o Oscar para casa três vezes, por seu desempenho como ator e por seu trabalho como produtor: filmes como “O lado bom da vida” (2012), “Trapaça” (2013) e “Sniper americano” (2014). Agora, aos 43 anos, ele dá seu passo profissional mais arriscado: dirigir Lady Gaga na releitura de uma trama nos moldes de “Pigmaleão”, que ganhou múltiplas refilmagens e consagrou grandes estrelas. A julgar pelas primeiras resenhas a seu trabalho por trás (e também na frente) das câmeras em “Nasce uma estrela” (“A star is born”), que estreia hoje nos Estados Unidos, Bradley pôde, enfim, colocar as mãos na tão cobiçada estatueta de Hollywood. E merecidamente.

Macaque in the trees
A atuação de Lady Gaga foi bem recebida pela crítica americana, que viu muitos acertos na direção de Cooper (Foto: Divulgação)

“O que leva uma pessoa à arte é a chance de se deixar levar a lugares inusitados, explorar o que não conhece. Eu sou artista porque acredito no prazer de me deixar surpreender. Pisar no set desse filme, com a Lady Gaga na frente. Foi uma daquelas emoções que fazem o peito da gente explodir”, disse Cooper no Festival de Veneza, onde sua esperadíssima love story com acordes musicais virou um acontecimento, pois, lá no Lido, a desenvoltura dele como cineasta pôs muitos concorrentes ao Leão de Ouro no chinelo.

No “The New York Times”, a resenha da crítica Manohla Dargis crava a palavra “belo” para definir o filme e frisa que “Bradley tem muitos acertos na direção, a começar pela escolha do elenco, com uma atuação naturalista, desarmada de Lady Gaga”. Previsto para chegar em solo brasileiro na quinta-feira que vem, “Nasce uma estrela” não vem sendo vendido como remake, porém, este ensaio romântico sobre um cantor autodestrutivo (o próprio Bradley, numa atuação memorável) que ajuda uma aspirante a cantora a explodir no mercado fonográfico, revê uma premissa levada às telas pela primeira vez em 1937. Janet Gaynor estrelou o original, que, de tanto sucesso, inspirou mais duas refilmagens: uma de 1954, com Judy Garland, e outra de 1976, com Barbra Streisand e Kris Kristofferson.

No novo longa, Lady Gaga está à altura delas: “Quando eu ouvi Cooper cantar, fiquei bem impressionada também com a intimidade dele com a música. É uma voz única, com muita presença de palco” disse Lady Gaga em Veneza.

Em Veneza, Bradley corava diante dos elogios, demonstrando uma inusitada timidez. “Essa é uma história sobre fama, ou melhor, sobre como a fama pode passar rápido e custar caro nessa passagem, até porque muita gente não enxerga a solidão que envolve as pessoas no estrelato. Tenho a sensação que essa experiência na direção me deu uma outra percepção: a do trabalho em equipe, a sensação de se ser responsável por uma série de pessoas que confiam em você”, disse Bradley, que este ano será visto ainda no novo longa de seu mestre, Clint Eastwood: “The mule”, sobre um traficante quase nonagenário.

Macaque in the trees
Kristofferson e Streisand na versão anterior do filme (Foto: Divulgação)

Cantando ao lado de Lady Gaga, a plenos pulmões, Cooper investe ao máximo no realismo ao filmar os shows de seu personagem, Jackson Maine, e as apresentações da cantora vivida por Lady Gaga, Ally. A fotografia de Matthew Libatique potencializa a potência trágica da paixão entre os dois. O destaque vem do monstro sagrado Sam Elliott (da série “The ranch”), que rouba a cena, com sua voz gutural, no papel do irmão mais velho de Bradley.

“Sam Elliott é um ator singular que eu admiro há anos. Ele é tudo que eu espero ser algum dia. Filmar com Elliott era um sonho e eu tive que inventar uma solução que tornasse crível ele ser meu irmão, no filme, dada a nossa diferença de idade. Mas criamos a solução de ele ser um irmão bem mais velho que criou meu personagem como se fosse seu pai. Foi muito bonito ver como pessoas como ele confiaram em mim”, diz Bradley. “Foi lindo ver Lady Gaga se soltando em cena, ao cantar. Ela é uma grande atriz”.

*É roteirista e crítico de cinema



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