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Acadêmico, mas luminoso: confira crítica de 'Invisíveis'

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Embora ande se renovando por uma nova onda de comédias, como “Toni Erdmann” (2016) e a ainda inédita “In the aisles”, o cinema germânico perdeu a estética suarenta e porosa que tinha nos tempos de maior ebulição e de autocrítica (idos dos anos 1970) do saudoso Rainer W. Fassbinder (“O medo consome a alma”) e do ainda ativo Herzog (“Aguirre”). Imperam por lá narrativas acadêmicas sem turbulência, mais factuais que sensoriais, com exceções aqui (“A vida dos outros”) e acolá (a obra recente de Christian Petzold, de “Barbara”). Porém, mesmo na linhagem dominante mais plácida daquela cinematografia (outrora indomável), há realizadores cuja eficiência ilumina a tela, como é o caso de Claus Räfle e seu “Os invisíveis”. Documentarista de formação, escolado na TV, ele decanta com competência a cartilha do épico histórico para reconstruir um caso real da Berlim de 1943. Ali, em meio ao jugo nazista, a presença judaica na metrópole alemã foi considerada extinta. Porém, quanto jovens hebreus conseguiram disfarçar sua identidade, em nome da pertença ao solo onde sonhavam fazer uma nova história. Cioma Schönhaus, vivido pelo ótimo Max Mauff, é o personagem mais fascinante de “Die Unsichtbaren” (título original), por sua aposta numa vida bandida: ele falsifica passaportes para sobreviver. As ações dele e dos outros três representantes da linhagem judaica para ficarem invisíveis, num ambiente lotado de espiões, são revividas num clima claustrofóbico, de pura paranoia, no qual a montagem é o foco de maior potência estética. Räfle areja o filme com elementos documentais bem costurados no corte final.

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INVISÍVEIS: *** (Bom)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom



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