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Cultura

1970 nunca termina: confira crítica de 'Verão em Rildas'

Jornal do Brasil ANA RODRIGUES*, especial para o JB

Em tom documental, com espírito que nos remete aos anos 1970 e aos episódios recentes de censura, “Verão em Rildas”, de Daniel Caetano, retrata a dificuldade de estudantes de produção cultural da Universidade Federal Fluminense para promover um festival em Rio das Ostras, no Estado do Rio, e retoma a discussão de 2014, quando a performance Xerek Satânik causou polêmica e foi parar no Ministério Público Federal, para depois ser arquivada. A apresentação de uma jovem, que costurou seu órgão sexual depois de inserir uma bandeira, é discutida entre os próprios participantes do evento. Os organizadores foram surpreendidos pela apresentação, classificada pelos opositores ao evento como ritual satânico. O longa denuncia a hipocrisia das autoridades inertes a problemas como o crescimento dos estupros na cidade, mas que ficam chocadas e querem censurar uma performance.

A atmosfera da época mais repressora da ditadura militar é evocada por Daniel Caetano, também diretor do curso, nos jovens na praia, no rapaz que vai para Londres, dessa vez não em exílio, mas para fazer um mestrado, no tema censura que volta no século XXI e poderia ser tratado de maneira ainda mais contundente. A época do desbunde, da contracultura, se manifesta nos recitais de poesia e nas apresentações musicais, estilo Hendrix quebrando a guitarra, com participação especial de Jards Macalé. A composição dele com Wally Salomão, “Vapor barato”, está presente em todo o filme. Honey baby, 1970 ainda não terminou.

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VERÃO EM RILDAS: ** (Regular)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom



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