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Cultura

Memória dos injustiçados: confira crítica de 'Papillon'

Jornal do Brasil ANA RODRIGUES*, especial para o JB

Em 1973, um hino contra a injustiça e a desumanidade do cárcere estreava nos cinemas, dirigido por Franklin J. Schaffner com roteiro de Dalton Trumbo e Lorenzo Semple Jr.. Com Steve McQueen e Dustin Hoffman, “Papillon” ficou na memória de gerações pelo aspecto introspectivo da narrativa claustrofóbica de um homem que insiste na liberdade. Baseado no livro de Henri “Papillon” Charriere, que contou a história dele na prisão, uma nova versão chega aos cinemas. O diretor dinamarquês Michael Noer reconstitui a trama com Charlie Hunnam, no papel do acusado injustamente de assassinato e condenado a prisao perpetua. Papillon se une a outro preso, Louis Dega (o ótimo Rami Malek), para fugir da terrível Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

Macaque in the trees
Hunnam e Malek no libertário "Papillon" versão 2018 (Foto: Divulgação)

Da união do malando “Papi” e do inteligente Dega, surge muito mais do que o sonho de liberdade. Uma improvável amizade e cumplicidade mostra que, nas condições mais desumanas, a ética pode prevalecer. A história seduz desde os anos 1970, justamente por reforçar esse valor tão raro. Além da fidelidade, outro aspecto que fascina é a resiliência. A tortura e a solitária fortaleciam Papillon, afinal, ele é como o apelido, uma borboleta que precisa ser livre.

A nova versão é mais aventureira e falta a Hunnam, a densidade que Schaffner conseguiu aproveitar do caráter indomável de McQueen e da influência do espaço físico nas ações dos personagens. A direção de Noer tem momento mais inspirado quando “Papi” está na solitária, o que nos leva a uma reflexão sobre o cárcere, mesmo longe da epifania do clássico e ainda atual filme de 1973.

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PAPILLON: ** (Regular)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom



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