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Cultura

Feiras modernas: moda compartilhada

Jornal do Brasil IESA RODRIGUES, Especial para o JB

Dividir espaços faz parte das estratégias de vendas desde a Idade Média, quando as feiras começaram a ser mais organizadas. Nos tempos atuais, os shoppings poderiam ser considerados a versão moderna destes compartilhamentos. Só que não: outras opções surgem, bem mais próximas da ideia original de feira, favorecendo os iniciantes no mundo da moda.

Macaque in the trees
Versão atual do Carandaí 25 realiza-se no Espaço EXC, no Jockey Clube da Gávea (Foto: Divulgação)

Mix de roupas e arte pop

O mérito do pioneirismo vai para a Babilônia Feira Hype, versão cult da feira hippie de Ipanema. A proposta de Robert Guimarães e Fernando Molinari de reunir criadores novos, música e gastronomia deu certo, a ponto de ter sido o impulso inicial de marcas como Farm, Espaço Fashion, Complexo B, Constança Basto. Enquanto as roupas eram provadas em cabines precárias, aconteciam happenings de artistas plásticos e grafiteiros, tatuagens de henna enfeitavam costas e braços e cachorros-quentes turbinados eram devorados. Tudo isto, na grande tenda de circo montada junto a uma das tribunas populares do Jockey Clube da Gávea.

“A Feira Hype provocou uma espécie de ressurgimento do Jockey, que andava meio abandonado. Tanto que antes da primeira edição foi preciso limpar o terreno e as áreas internas de uma tribuna. Mas o custo do espaço aumentou muito, saímos de lá e montamos nosso circo em locais tão diferentes como o Forte de Copacabana ou uma casa de shows na Barra. As edições, no Parque dos Patins, viraram festas na beira da Lagoa”, costumam contar Robert e Fernando, prestes a lançar a animada edição de fim de ano.

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O escritório de arquitetura Kube assina a loja do Carandaí na Casa Cor Rio (Foto: Divulgação)

Poder multiplicado

Um shopping dentro de um shopping. Ou a agitação entre expositores em uma casa em bairro residencial como o Jardim Botânico. Tatiana Accioli lidera o negócio, que nasceu como um bazar na sua casa na Rua Carandaí, número 25. “Daí o nome, Carandaí 25”, explica Tatiana, que tinha uma importadora de acessórios e começou vendendo seus produtos na sala de casa. O sucesso fez do lar um caos e o marido praticamente proibiu o segundo bazar por lá.

“Já na segunda edição outras marcas queriam participar. Tivemos ‘madrinhas’ maravilhosas como a Patricia Viera, a Andrea Marques, Marcela B, Adriana Degreas e a Dona Coisa. Depois, vieram os pequenos, os novos. Era preciso criar algo diferente. Tipo, ou a gente muda, ou a gente muda. O Carandaí faz parte de um movimento pela cidade, feito por tantas mãos, com o apoio do Sebrae. Agradeço muito por chegar a estas 20 edições.

Os bazares maiores, atualmente realizados no espaço Exc, no Jockey, incluem de 70 a 80 participantes. Outra parte do grupo ocupa um espaço no Shopping Leblon, onde, até janeiro, 25 marcas formam um elegante shopping dentro do shopping. A seleção de participantes é uma das missões mais importantes da Tatiana. “Gosto de pesquisar, de ir atrás, de ver se não há conflitos de produtos. Por exemplo, de bijuterias, tenho só uma grife de resina e plástico, outra de peças em prata, uma terceira em metais. A consultoria inclui o trabalho de pós-venda”.

Até agora, só em 2018 foram 11 projetos, incluindo São Paulo, Paris e a loja na Casa Cor carioca, sempre prestigiando marcas do Rio ou parcerias com eventos como a paulistana Feira de Rosenbaum. A agenda de 2019 prevê Carandaí 25 em três estados e, pelo menos, uma edição internacional, ainda em segredo. “Antes, montamos a 21ª no Jockey, de 28 de novembro a 2 de dezembro”, anuncia Tatiana Accioli.

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Desde a sua origem, o nuv.ooo foi pensado com o conceito de passar a ser uma franquia (Foto: Divulgação)

De olho no crescimento

Quase um conto de fadas, a história do nuv.ooo, coletivo que começou em uma pequena galeria na Voluntários, em Botafogo. Vanessa, Carmen e Ana Cláudia notaram que havia interesse no tipo de proposta e decidiram desenvolver um projeto com possibilidade de virar franquia. “Nós mesmas criamos o conceito de mobiliário, pensamos no lado digital e estamos por enquanto com uma loja pop up, prontas para franquiar”, contaram, mostrando a lojinha em um canto do Shopping da Gávea. A aparência simples de estantes e prateleiras em madeira clara ganha a inovação tecnológica das telas com a foto e o histórico de cada marca. Para quem curte e compra há a vantagem da ausência de repasse nos preços, marcados por cada autor. Daí ser encontrada uma bela bolsa da Regina Ferreira por R$ 98.

E como lucra o nuv.ooo (em princípio o nome seria derivado de “nuvem”, o espaço da internet, mas vale também para nouveau, novo em francês)? “Somos prestadores de serviço. As marcas pagam pelo espaço que ocupam, como um rateio. Escolhemos este shopping por ser um bairro de tendência, com um público de estudantes. Temos o e-commerce, onde é possível comprar e pegar na loja”, completa o trio, que conta o segredo: atualmente são 24 marcas, propondo babadores, bolsas, plantinhas e cuecas samba-canção, além de camisetas, vestidos e bijuterias. Mas, em breve, a metragem será ampliada para os fundos da loja na Gávea e ali a nuv.ooo chegará a 80 marcas - um passo adiante no crescimento para atrair franquias.

 



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