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OBITUÁRIO: Amauri Mari de Mello, jornalismo perde craque

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“Produtor rural, curioso, jornalista”. Assim se intitulava o gaúcho de Bento Gonçalves, Amauri Mari de Mello, de 67 anos, que vivia retirado em modesta fazendola em Mostardas, litoral norte do Rio Grande do Sul. Lá, depois que deixou o jornalismo, há sete anos, após cumprir brilhante carreira nas Organizações Globo e no JORNAL DO BRASIL, além de consultoria ao Grupo O Dia, quando foi negociado aos portugueses, Amauri se dedicou com afinco à lida diária no campo e não se cansava de postar fotos do nascimento de cabritos e carneirinhos. E nunca deixava de fazer postagens ácidas sobre o jornalismo.

Sua última postagem, em 30 de agosto, às 23:34 foi “Nunca esquecer que bonner-renata sao VENTRILOQUOS”, pouco após a entrevista da candidata Marina Silva (Rede) no Jornal Nacional da Rede Globo. Pouco antes, às 22:10, Amauri confessou não ter visto “o Tribunal Bonner”.

Macaque in the trees
Amauri Mari de Mello (Foto: Reprodução)

Depois de ser coordenador da Economia de O Globo, nos anos 80, e passar a editor executivo do jornal no fim da década, ao longo do anos 90 Amauri mergulhou no mundo da internet e se tornou um expert, tendo sido um dos criadores do jornalismo online de O Globo, junto com a jornalista Cristina De Luca, e diretor de Conteúdo da Globo.com. De 2001 a 2005 dirigiu a Editora Globo. Depois fez consultorias na fusão do JB com a Gazeta Mercantil, na gestão Nelson Tanure, quando chegou a Diretor de Redação do JB.

Em 2010, desencantado com o estreitamento do mercado de trabalho, sem cargos e salários compatíveis com sua capacidade, resolveu mudar-se para a propriedade rural em Mostardas, onde viveu vida dura e reclusa. Cercado por cachorros e animais da criação de olvelhas. Ainda este ano desabafou: “Após quatro anos dificeis aqui no campo, pobre, pouco sociável, começo a me livrar da carga arrastada por 42 anos de jornalismo(?). A ausência-distância com poder, disputas, crueldades morais, vaidades solitárias e paixões fugidias...talvez faça resurgir o bardo ingênuo e divertido que um dia eu fui. Torço”. Saudades, bardo.



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