Argentina resgata exemplo da França em 2006 para superar adversária nas oitavas

Há 12 anos, no Mundial da Alemanha, uma grande seleção se classificou aos trancos e barrancos em seu grupo e encarou uma das favoritas logo nas oitavas de final. Venceu com autoridade, graças a um craque inspirado que pouco fizera na primeira fase, e arrancou até a final. Essa foi a trajetória da França em 2006, e é nela que a Argentina pode se inspirar contra a própria seleção francesa, hoje, às 11h.

Naquela ocasião, a equipe comanda por Zidane, que entrou de vez na Copa só no mata-mata, bateu a forte Espanha – então com 100% de aproveitamento – por 3 a 1 nas oitavas. Ainda em busca de sua melhor forma, Messi –  nunca marcou em um mata-mata – tentará conduzir seu país à vitória contra a França, que está devendo em nível coletivo, mas conta com craques que a credenciam como uma das principais candidatas ao título.

“A grande força da seleção francesa é a velocidade nas transições. Eles trabalham juntos há muito tempo. Chegam com vários jogadores ao ataque, possuem uma bola parada muito boa, e estão se desenvolvendo bem coletivamente”, elogiou Jorge Sampaoli. O técnico argentino espera se redimir depois da caótica primeira fase. “Vim aonde queria. Tenho contrato e estou muito feliz de estar aqui”, declarou.

Em sua 14ª partida no comando, Sampaoli deve repetir a escalação pela primeira vez. A única dúvida  é no ataque. O jovem Pavón, de 22 anos, foi testado no lugar de Higuaín, e Messi passou a atuar mais centralizado. A tendência, no entanto, é que o time seja mesmo o que derrotou a Nigéria.

França: Lloris, Pavard, Varane, Umtiti e Lucas Hernández; Kanté, Pogba e Matuidi (Lemar); Mbappé, Giroud e Griezmann. Argentina: Armani, Mercado, Otamendi, Rojo e Tagliafico; Mascherano, Banega e Enzo Pérez; Messi, Higuaín (Pavón) e Di María. Juiz: Alireza Faghani (Irã).

Retrospecto: Argentina venceu as duas

Confronto inédito no mata-mata, França e Argentina já se encontraram duas vezes em Copas do Mundo. E a primeira vez foi justamente na estreia de ambas as seleções no Mundial, em 1930. Melhor para os argentinos, que derrotaram os franceses por 1 a 0, gol de Luis Monti, e largaram com o pé direito no Uruguai. Quarenta e oito anos depois, na segunda rodada do Grupo 1, a anfitriã Argentina voltou a vencer a França. O capitão Passarella abriu o placar para os “hermanos”, de pênalti”. Platini deixou tudo igual, mas Luque deu o triunfo aos argentinos.

Pogba brinca: ‘Não quero ir para casa’

Apesar do desempenho abaixo das expectativas no Grupo C, a França cumpriu sua obrigação e conquistou a liderança da chave, com sete pontos. Para seguir em busca do bicampeonato, a seleção francesa terá, de cara, um grande desafio, contra a Argentina. 

Um dos maiores destaques franceses até aqui, Pogba projetou o confronto.  Para o meia, enfrentar um adversário mais ofensivo pode ser benéfico para sua seleção. 

“Será uma partida muito difícil, mas, na verdade, pode ser melhor para  a gente do que os jogos anteriores, contra times muito defensivos. Eles têm qualidade e vão querer vir para cima. Não quero ir para casa. Ainda não fiz minha bagagem”, ironizou Pogba.

A indecisão do treinador Didier Deschamps a respeito do time ideal é nítida, provada pelas três escalações diferentes na primeira fase. A principal alteração foi a entrada de Giroud, que ganhou vaga no ataque por sua capacidade física. O trabalho de pivô do centroavante já foi bastante utilizado pela equipe.

Outro ponto de dúvida é no meio-campo, mais à esquerda. Tolisso, Matuidi e Lemar já foram titulares, e a tendência é que o segundo comece jogando na decisão contra a seleção argentina.