O cuidado no olhar sobre a infância nas favelas

Assisti a um documentário sobre um rapper paulista que sempre me chamou muita atenção, mas sobre o qual eu sabia pouquíssimo. Seu pseudônimo era Sabotage.

Sabotage e seu indefectível cabelo era todo energia ao falar sobre a infância sofrida e a relação com as crianças da favela do Canão, que o rodeavam e faziam  um backing toda vez que ele cantarolava suas composições. 

Lembrei da cena do documentário e das declarações de Sabotage, porque ao ler um artigo sobre a infância em uma favela do Rio de Janeiro, percebi o perigo que um olhar desatento e preconceituoso pode representar à infância nestas áreas. 

Sabotage fala sobre a distância e o distanciamento da sociedade e das instituições da realidade das crianças que vivem nestas áreas. O interesse só é despertado quando aquela criança passa a representar um risco à ordem estabelecida. 

Não importam as dores e mazelas pelas quais aquela ou aquele pequeno indivíduo foi exposto ou submetido.

A criminalização da pobreza já produz uma série de situações escabrosas. Estigmatização das mulheres e jovens de áreas empobrecidas. 

Não podemos correr o risco de criminalizar a infância pobre, consequentemente quase sempre negra e não branca.

Não podemos ver frequência em cenas como as das mortes do pequeno Eduardo do Alemão,  por exemplo. O cuidado com a vida deve ser ou pelo menos deveria ser, nossa maior prioridade. 

Se não o for, estamos mesmo em maus lençóis.

*Consultora na Ong Asplande, Colunista, Pesquisadora e Membro da Rede de Instituições do Borel

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