A PEC no cotidiano do brasileiro comum

Perguntei a uma moradora do Borel o que ela achava da PEC 55 que limita os gastos do governo federal. Não me surpreendi ao ouvir dela que nem sabia o que era isso e me pediu para explicar.

Perguntei porque queria ter uma percepção do sentimento e do entendimento das pessoas sobre o que estamos vivenciando e que dará conta de nossa vida cotidiana daqui para frente.

A moça, nordestina, de Pernambuco, vivendo há 10 anos no Borel, é mais uma brasileira, com pouca instrução e que faz de ganhar o seu pão diário a prioridade. Os seus quatro filhos ainda vivem na sua pequena Embaú, aguardando o dia de poderem vê-la novamente ou, se der, virem viver com ela (sonho que conta com muitas lágrimas e um pouco de esperança).

Disse a ela o que a PEC significa e o que isso representa para todos os brasileiros, principalmente para os que como ela, só podem escolher a sobrevivência e não tem tempo de entender nem o que fazem com as suas vidas. É muito estranho ver o que significa de fato fazer parte dessa sociedade que não perdeu sua essência escravocrata e coronelista e que não anseia pela evolução, mobilidade e crescimento do povo, aqui no Brasil real.

Sua reação, dizer que só pode confiar em Deus. Sábias palavras, porque só mesmo tendo muita fé, porque aqui no Brasil real não dá pra dizer que não aceitamos e espernear. Porque aqui, no Brasil de verdade, o do cotidiano, é manter-se vivo(a), que já tá de bom tamanho. Mesmo.

*Colunista, Pesquisadora, Membro da Rede de Instituições do Borel e Consultora na Ong Asplande.