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Confronto entre facções causa pânico na Maré

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Mais um caso de violência choca a favela Marciolio Dias – Kelson no Complexo da Maré. No ultimo domingo, um grupo de seis jovens, ex-moradores da comunidade, entraram armados atirando no campo de futebol, assassinando um morador e baleando um outro. Os jovens saíram em fuga dentro de um carro com a promessa de retornar e tomar o território da favela para uma outra facção criminosa. 

Não me importa se a facção A, B ou C é boa ou ruim. Todas são fruto da irresponsabilidade do Estado. Nós moradores, que diariamente encaramos nossas pesadas jornadas de trabalho não podemos ficar refém de nenhum poder coercitivo. 

Já se sabe que as marcas da ‘guerra às drogas’ inviabiliza o desenvolvimento econômico e social das favelas do Rio de Janeiro. Tendo em vista que,a ausência de uma acertada política de segurança pública permite que um clima constante de vulnerabilidade e insegurança se desenvolva dentro desses territórios. 

O grande desafio que temos para mudar a política de drogas brasileira é romper com a falta de informação. Quando se fala de legalização ou até de descriminalização de drogas, dá entender que o problema vai aumentar ao invés de acabar. O tema das drogas é tabu na sociedade, e sabemos que isto não é diferente no âmbito das esferas governamentais.

O STF acenou ano passado uma possibilidade concreta de descriminalização, porém esse debate não é feito com a sociedade. Fala-se em redução da maioridade penal para mais punir a juventude que é refém do tráfico de drogas, ao invés de debater redução de danos para o usuário de drogas, ou alternativas de segurança pública que garanta a inibição da circulação do tráfico ilegal de drogas na favela. 

Precisamos de políticas públicas que levem em consideração fatores sociais, culturais, psicológicos e familiares, para tratar do tema. Os dados do Ministério da Justiça são assustadores e cresce na sociedade brasileira. Em 2015, vimos triste realidade ao nos depararmos com 46.881 assassinatos, sendo o Rio de Janeiro o Estado com uma das mais altas a taxa do país: 5.850 mortes para cada 100 mil habitantes. 

Quem sofre com a ineficiência do Estado é o morador. Chega de mortes e violência na favela. 

*Walmyr Júnior é morador de Marcílio Dias, no conjunto de favelas da Maré, é professor, membro do MNU e do Coletivo Enegrecer. Atua como Conselheiro Nacional de Juventude (Conjuve). Integra a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.