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Qual é a segurança pública que queremos?

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Mais uma vez a única saída para se pensar a redução da sensação de insegurança é o aumento do efetivo policial nas ruas. Me parece, embora não seja especialista em violência e nem em segurança pública, que este não é e nunca será o caminho mais eficaz.

Em recente evento no Rio de janeiro, do qual tive a honra de participar, o geógrafo britânico David Harvey, adepto de uma geografia mais humanista, disse que é necessário que as pessoas sejam menos violentas. Pois é, acho que aí está a grande questão. A violência, conforme vai dizer Jesus, vem do coração dos homens, onde nascem as guerras, as disputas, enfim, o problema talvez seja maior do que qualquer efetivo já utilizado ou à ser utilizado.

Estamos vivendo um tempo em todo o mundo, onde a empatia tem sido um sentimento pouquíssimo exercitado. Vivemos em uma sociedade altamente policializada, medicalizada e judicializada. Não há quase o desejo do diálogo, da troca e da observação do outro.

Temos uma dívida enorme com a população negra neste país, deficitária dos sistemas públicos que são meios de acesso aos direitos sociais, como saúde, educação, segurança, e ainda a maior de todas as aspirações do ser humano, a a habitação.

Não sei se o nosso grande trunfo é apostar sempre em aumentar efetivos, talvez esteja na hora de voltarmos nossas fichas para fortalecermos nossas instituições de ensino, haja vista a onda que vem se fortalecendo com a ocupação destes espaços por estudantes que não vão mais se contentar com o que temos hoje.

Não sei, mas não acredito que teremos uma resposta mais efetiva no longo prazo com esta medida, de uma melhora real da violência vivida. Até porque não podemos pensar que existe uma só violência. Precisamos pensar no que fazer com os usuários de craque, que já são à despeito do surto de dengue, um dos nosso maiores problemas de saúde pública, no que fazer com as crianças que estão à mercê de todas as violências possíveis nas ruas. Pois bem, queridos e queridas leitores e leitoras desta coluna, nosso esforço deve ser bem maior e mais orientado, para que de fato possamos ver de alguma maneira, um horizonte mais favorável no que se refere à segurança pública, talvez conversando mais e buscando entender melhor o que é segurança pública e que ela vai além da ação , começa na reflexão e no diálogo entre os cidadãos e cidadãs e suas instituições.

O que de fato precisamos é ampliar o debate sobre qual é a segurança pública que queremos e que podemos juntos, sociedade, instituições da segurança, academia e demais instituições da sociedade, construir para as gerações futuras.

A nossa luta é todo dia. Favela é Cidade. Não aos Autos de Resistência, à GENTRIFICAÇÃO, à REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL , ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO, ao MACHISMO, À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER e à REMOÇÃO!"

*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@ MncaSFrancisco)