Tudo indicava que a paz do dia que se celebra o nascimento de Cristo iria se fazer presente na Rocinha. Depois de anos se confrontos se repetindo quase que diariamente, já estávamos há algum tempo com tranquilidade. Mas infelizmente, na manhã do Natal, mais uma vida de um trabalhador foi tirada nessa guerra onde os pobres são as maiores vitimas.
Eram 6 horas da manhã, a comunidade comemorava em um baile na quadra da Roupa Suja. Sim, favelado tem direito de comemorar e, como não tem salão de festa, play, nem cobertura, tem que usar os espaços que a comunidade oferece. Apesar das festas na cidade, na Rocinha o Governo não apoia eventos culturais. A prova disso é que nenhuma festa de Réveillon é realizada nem mesmo na praia de São Conrado, próxima à favela. O resultado é a organização de festas pelos próprios moradores na comunidade.
Tudo estava indo bem, até que uma atitude autoritária da polícia ao entrar em um evento e querer desligar o som, acabando com evento, causou revolta nos moradores.
Em nada o evento estava atrapalhando. Logo, não havia motivos para que fosse interrompido. Havia festas por toda cidade. Por essa atitude, foram ouvidos diversos tiros, e um destes lamentavelmente atingiu a vida de um comerciante local, e outros feriram outras vítimas.
Então, o que esse episódio nos revela é o Estado entra na favela, nada oferece se não a polícia e ainda assim impede as manifestações culturais do local, sem oferecer alternativas de lazer. Em pleno Natal, alguns locais da favela sem água e sem luz e o povo não pode ao menos de divertir.
Que Deus conforte o coração dos familiares de mais essa vítima da violência no Rio de Janeiro.
Lamentável!
* Supervisor Administrativo NEAM/PUC-Rio; Mestrando em Design - DAD/PUC-Rio; Pesquisador Ladeh/PUC-Rio; Colunista Jornal do Brasil e morador da Rocinha