Mais um anjo vítima na Mangueira. Até quando?

Último mês do ano, véspera de Natal. Todas as famílias pensando em como comemorar a data que celebra a vinda de Jesus ao mundo terreno. Era pra ser um tempo de alegria e solidariedade, porém na família de Gabriela Gomes, uma jovem de 20 anos, mãe, moradora da favela da Mangueira, zona norte do Rio, esse Natal não terá o mesmo sentido. Gabriela acaba de perder seu filho, o pequeno Ruan Bruno Gomes Nunes, de 2 anos. 

Ruan foi sepultado no domingo (13). Ele foi vítima de mais um desses confrontos entre polícia e traficantes que acaba sempre com a morte de gente inocente. Ele morreu enquanto dormia em sua casa na favela do Metrô. A reportagem que mostra a casa de Ruan revela a situação de dificuldade e pobreza que aquela família vive, assim como tantas outras nas favelas do Rio de Janeiro abandonadas pelo poder público e lembradas apenas quando se trata de mandar a polícia invadir o território ou nas eleições.  

Muitas vítimas nesse ano de 2015 perderam suas vidas por culpa dessa guerra sem fim. É pobre matando pobre. Morre morador, morre policia, morre bandido e a guerra não para. Foram muitas as colunas que eu, infelizmente, escrevi esse ano relatando esses acontecimentos. Relato para que não sejam esquecidos e para que não fiquem impunes os verdadeiros responsáveis. Afinal, quem seriam os responsáveis? 

A luta dessa mãe foi até para ter o direito de sepultar seu filho. Foi preciso arrecadar com os moradores o valor do sepultamento. 

Nesse Natal, celebramos a vida de Cristo, mas infelizmente nos entristecemos pela morte de Ruan. Que Deus em sua infinita bondade receba esse pequeno anjo com muita luz e que conforte o coração dessa família. Que 2016 seja acima de tudo, um ano de paz. 

* Supervisor Administrativo NEAM/PUC-Rio; Mestrando em Design - DAD/PUC-Rio; Pesquisador Ladeh/PUC-Rio; Colunista Jornal do Brasil e morador da Rocinha