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A ausência da favela nas comemorações dos 450 anos do Rio

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Todas as mudanças pelas quais a cidade vem passando nos últimos anos, e com ênfase na realização dos megaeventos que o país vem sediando, sendo as Olimpíadas e as Paralimpíadas, o foco da vez tem sem dúvida impactado de forma dramática a vida das cidades e em particular a do Rio de janeiro.

O que causa mais espécie ainda, para além das intervenções que beiram a cópia cruel e caricata, guardadas as devidas proporções e escala, mas não menos danosa e abjeta, a sanha xenofóbica da qual os milhares de refugiados vem sendo alvo e que a exaustão, vem sendo veiculada em todo o globo.

Não podemos imaginar o Rio de janeiro sem sua relação direta com as favelas que o circundam. A questão é que ao mesmo tempo, as favelas tem estado, ou melhor, não tem estado muito presente nas comemorações dos 450 anos da cidade.

Nada é inocente e sem objetivo. A ausência da favela no chamamento às comemorações do aniversário de nossa cidade tem aclara intenção de mostrar o quanto esta parcela da cidade é de fato indesejada.

Mais danoso do que simplesmente a não menção da sua história tão imbricada à própria história da cidade, serve para nós como um sinal mais do que evidente de que ainda há, mesmo que não se fale tão claramente como dantes, o sonho de extingui-la. Sonho que não morreu, como acham alguns.

Não à toa, volta e meia somem com elas de mapas oficias. Mas nos porões as remoções e as operações policiais, cheias de danos catastróficos para seus moradores.

Diz o ditado que quem avisa, mostra sinal de amizade, de cuidado. Sendo assim, a cidade, as instituições, os moradores das favelas, ganhariam muito mais se de fato houvesse o reconhecimento e o respeito ao processo histórico e o papel fundamental das favelas na preservação do equilíbrio de nossa sociedade tão desigual. Como diz a canção, quando derem vez ao morro, toda a cidade vai cantar. É só um aviso!

"A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não aos Autos de Resistência, à GENTRIFICAÇÃO, à REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL , ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO, ao MACHISMO, À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER e à REMOÇÃO!"

*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@ MncaSFrancisco)