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Projetos pontuais não resolvem a crise na segurança pública 

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Qual a paz que eu não quero conservar para tentar ser feliz?Aquela que mantém de maneira cristalizada a relação racista estruturante das relações sociais no Brasil. Não é possível pôr remendo novo em pano velho, ou vinho novo em odres velhos, certamente se romperão. Jesus nos ensinou isso, é fato. O que precisamos não são medidas paliativas, o que precisamos é uma mudança profunda e radical nas questões ligadas a segurança pública. É necessário fazer com a sociedade um debate profundo e, juntos, buscarmos um caminho. Não é criando siglas, destacamentos, e tentando criar projetos pontuais que vamos fazer a diferença nesse sentido.

O que temos vivenciado, com um enorme consentimento de nossa sociedade, é um crescente número de homicídios, endereçados a um tipo ideal, preferencial. Sim, jovens, homens e negros.

O momento não deveria ser de holofotes e projetos pontuais. O momento exige debate profundo da sociedade e uma reforma agressiva em nosso modelo de fazer segurança. Não adianta hostilizar países que decretam pena de morte oficialmente, se nós não temos vergonha nenhuma de ostentarmos números vergonhosos anualmente, e que nos colocam em uma situação vergonhosa em relação ao número de execuções por aqui. O que precisamos é o comprometimento de toda a sociedade. 

Não poderia encerrar esta coluna sem fazer uma menção a John Legend, que ao ganhar o Oscar, pela canção Glory, do filme Selma, sobre a luta pelos direitos civis dos negros americanos, falou sobre a dura realidade dos negros que formam a enorme população encarcerada do pais.Foi sem dúvida um lindo  momento. Que sirva de exemplo para nossas celebridades por aqui. 


"A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não aos Autos de Resistência, à GENTRIFICAÇÃO e ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@ MncaSFrancisco)