Mais uma morte na Rocinha. Até quando?

O domingo na Rocinha foi triste. A Rocinha diminuiu, todos nós moradores morremos em partes quando perdemos mais uma moradora de tal forma. Uma jovem mulher, 21 anos, mãe, seu nome é Adriene Solon, mais uma vitima da violência dentro da maior favela do Brasil, localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro e dita “pacificada” desde 2011.

A pergunta de todos moradores é: “Até quando?”. Até quando teremos que conviver em um lugar onde não sabemos mais se vamos à rua comprar um pão e voltaremos com vida? Até quando nossas crianças vão perder seus pais e os pais vão perder os filhos, por conta de uma guerra, onde só quem sai perdendo são os inocentes?

Um morador resume na página do Rocinha em Foco sua indignação: “Onde está a "pacificação"? Até quando o povo da favela ou dos subúrbios do Brasil será tratado todos como bandidos! Hoje foi essa menina, ontem foi o Amarildo e amanhã quem será? E nada vai mudar pois para o governo o único problema da Rocinha está em ter polícia! Uma polícia despreparada que sempre erra com pobre. Isso não aconteceria no Leblon ou em Ipanema !!!!Até quando?

As nossas autoridades não entendem ou ignoram a morte de mais um morador de favela, inocente. Quando seremos tratados como gente, como cidadãos?  Volto a afirmar: o que a Rocinha precisa não é de policiamento, armamento, caveirões e helicópteros blindados. O que esse povo reivindica é respeito aos nossos direitos de cidadão.

Que Deus conforte o coração da família de Adriene e conduza para que os filhos dessa jovem possam ter um futuro digno e de muito orgulho a essa mãe, vitima da violência, preconceito e descaso de nosso país.

* Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade.