As comunidades do Rio de Janeiro avançaram nos últimos anos. As nossas favelas que antes eram lugares abandonados e negligenciados pelo Governo passaram a fazer parte das pautas de discursões e receberam consideráveis transformações. Hoje, podemos ir às comunidades e nos deparar com obras que melhoraram a qualidade de vida dos moradores. É claro que é preciso muito mais.
Infelizmente, tivemos muitos problemas e críticas a essa gestão de Governo. Muitas vezes, não somos ouvidos e não temos nossas prioridades atendidas. O Teleférico na Rocinha, por exemplo, é um dos projetos de maior discusão e de grande recusa na favela que tem como prioridade o saneamento básico. A segurança pública é outro fator que nos preocupa. Não podemos atribuir à polícia a responsabilidade pela paz nas favelas se esta não estiver aliada aos serviços públicos nas favelas. É preciso avançar, é preciso melhorar o diálogo com os moradores para acertar nos projetos. Estamos na fase de ajustes e não podemos retroceder e reconhecemos que as comunidades melhoraram, sim.
Estamos prestes a escolher o nosso futuro governador, e só temos duas opções. Por isso é necessário pensar objetivamente e escolher quem nos leve ao futuro e ao crescimento. Faço minhas a palavras de minha colega Monica Francisco do Borel: “Não queremos caridade nem assistencialismo”. Esse é o nosso maior recado. Os moradores das favelas vivem um novo cenário, a comunidade não quer mais apenas politicas assistencialistas, a fome e sede, hoje, é também pela Arte, Educação, Cultura e qualidade de vida.
* Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade.