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Rocinha espera que Pezão continue realizando os nossos projetos

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A Rocinha, maior favela do Brasil, onde residem cerca de 200 mil pessoas, se formou nos anos 30 com os primeiros barracos. A partir da década de 50 houve um aumento da migração de nordestinos para o Rio de Janeiro, direcionando em parte para a Rocinha. Na década de 70 a favela se tornou uma das maiores do mundo.

Através da Lei 1995 de 18 de julho de 1993, a Rocinha passa então a ser considerada bairro. No entanto, a comunidade apenas recebeu status de bairro no papel, pois tal mudança não foi acompanhada de realização de obras e projetos que visassem a melhoria da comunidade

O descaso do Governo com a Rocinha e outras favelas sempre foi presente em nossa cidade. Foram décadas de abandono e descaso. Em 2010 tivemos o PAC que veio para trazer cidadania aos moradores de favelas, e por mais que obras não fossem concluídas como o previsto, os moradores reconhecem que foi este Governo que iniciou, de fato, as obras que se propuseram a dar uma melhor qualidade de vida da população.

A Rocinha ainda está longe de chegar ao ideal, mas hoje temos uma biblioteca com múltiplos recursos, um complexo habitacional onde residem mais de 140 famílias, um complexo esportivo que atende centenas de crianças e jovens, um parque ecológico e uma creche modelo; temos uma rua que foi ampliada diminuindo o índice de tuberculose. Pezão esteve sempre presente nestas realizações.

Temos muito ainda para avançar e sempre critiquei e mantenho minha postura em não concordar com a força policial como único instrumento de paz. Continuarei criticando todo e qualquer desrespeito com nossos moradores. Acredito que apenas com melhorias nos serviços públicos e investimentos na educação, cultura, saneamento dentre outros, poderemos ter não só a paz nas favelas, mas também poderemos fazer valer nossos direitos básicos previstos na constituição, direito esses que nunca vimos na Rocinha.

E mesmo com todas as criticas que já fiz, reconheço que Pezão esteve sempre à frente das obras do Programa de Aceleração do Crescimento nas comunidade. Sua origem humilde e experiência politica nos faz acreditar que ele realizará o que a comunidade gostaria que fosse realizado nos governos anteriores. O PAC 2 está com recursos já aprovados, nada mais justo que continuemos apoiando quem já conhece a nossa realidade. Com a ressalva que a comunidade deve continuar participando diretamente do planejamento e da aplicação dessa verba, pois somos nós os beneficiados e conhecemos melhor que ninguém as necessidades de nossa comunidade.

Esperamos que o governador cumpra os seus compromissos e transforme a nossa comunidade em um modelo de favela e que a politica de pacificação seja revista e que sejam priorizados o acesso aos serviços públicos de qualidade, para que por meio da cultura e educação possamos oferecer aos nossos moradores uma vida mais digna.

 

* Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade.