Educação na Rocinha não é prioridade para a Prefeitura

Quem mais sofrem são as crianças

A educação, pouco a pouco, tem deixado de ser vista como prioridade pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Enquanto o prefeito não resolve as questões e reivindicações dos profissionais de educação da cidade, crianças da Rocinha e de diversas outras comunidades sofrem com o prejuízo causado pela greve.

Os professores, que são os profissionais responsáveis pela formação de toda criançada e são incentivadores do ensino a essas crianças precisam de respeito e tratamento justo.  As escolas da Rocinha são espaços vergonhosos, não condizem com espaços de trabalho e ensino dignos. Uma das escolas tem salas divididas por meia parede de madeira, o que causa um impedimento de ensino e atrapalha ainda mais o trabalho do professor dificultando o aprendizado dos alunos.

Quem mais sofre com toda essa situação são nossas crianças, que já são prejudicadas pela baixa qualidade e investimento na educação. As chances de um morador de favela são ainda menores de superarem as dificuldades e terem um futuro promissor, já que as escolas estão há mais de 50 dias em greve,  um verdadeiro absurdo.

O ensino público, gratuito e obrigatório, deveria ser visto e tratado com prioridade absoluta, já que se trata da única e melhor maneira de alcançar uma verdadeira transformação na vida de todo essa população.

Os professores são verdadeiros heróis que sempre subiram as comunidades, em meio de tiroteio e tudo isso sem condições de trabalho dignas. E agora o que será dessas crianças que já sofrem com um ensino inferior e inadequado a formação? Qual será a chance de uma delas chegarem ao ensino superior, com tantos dias sem aula?

Os pais e mães também sofrem com a preocupação do ensino dos filhos, além de se preocuparem do vazio diário por não contarem com a parceria da escola que é pouca, mas necessária.

“Meus 03 filhos estão em casa por causa da greve, apoio os professores, eles estão lutando pelo direito deles, no entanto a minha preocupação é muito grande pela falta de ensino das crianças, estão todos em casa, e depois não sabemos como eles vão passar de série, qual será a avaliação. Eles já têm dificuldade em algumas matérias, agora então vai piorar. Nada vai ser feito para recuperar esse tempo perdido de ensino dos meus  filhos, estão todos em casa, e ficar solto na comunidade é uma grande preocupação.” Daniela Maia, moradora da Rocinha.

Quantas crianças estão nas ruas, sem ocupação, será que a Prefeitura já calculou e se sensibilizou do dano causado a elas, danos estes que jamais serão calculados em números, e são muito mais prejudiciais do que se imagina.

A educação é à base de tudo, a Prefeitura precisa parar de pensar na educação como gasto, não se trata de gasto, se trata de investimento!

*Davison Coutinho, 23 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Formando em desenho industrial pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio.