Jornal do Brasil

Tom Leão

Tom Leão

Finais de séries ao gosto do freguês

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Esta semana, Netflix anunciou que, no ano que vem, várias de suas produções originais poderão ter seus finais alterados, de acordo com o gosto dos assinantes, numa onda meio “Você decide”. A notícia deixou muita gente de nariz torcido. Já não bastam os filmes atuais, que são todos estudados e programados, para atingir públicos assim e assado, tudo para agradar o máximo possível, e, desse modo, matar qualquer ousadia artística?

Bom, esse tipo de truque não é novidade. Era comum em livros juvenis de mistério e ação, numa certa época. Você lia os capítulos, pulando determinadas páginas, ou escolhendo desvios, fazendo com que o destino do personagem mudasse. Já tentaram no cinema, com finais alternativos. A plateia assistia a um filme e, antes do desfecho, era passada uma lista para que o final/destino do herói fosse decidido na votação. Assim, o rolo com o final votado seria o exibido naquela sessão.

São experiências válidas. A própria Netflix também anunciou que não apenas “Black mirror” retornará para uma quinta temporada, no ano que vem, como deverá ter um episódio interativo, em que os fãs é que escolherão o destino do protagonista. Quando o DVD surgiu, trouxe alguns truques parecidos, mas que não vingaram. Você apertava em símbolos em certas cenas, e era levado para capítulos interativos, podendo explorar a cena sob vários ângulos e até mesmo ver cenas de produção. Mas ninguém deu bola e caiu em desuso.

Macaque in the trees
Hulu anunciou a volta da série "Veronica Mars" (Foto: Divulgação)

Por outro lado, já tivemos séries que conseguiram uma sobrevida, por conta de vaquinhas virtuais, uma interatividade mais efetiva e direto entre os fãs e seus ídolos. Uma que arriscou isso (e deu certo) foi a cultuada “Veronica Mars” (2004-2007). Quando de seu término, o produtor Rob Thoma pensou um filme para cinema, para arrematar a série (que acabou sem terminar). Mas não tinha dinheiro para tal. Uma vaquinha virtual (crowdfunding) foi feita e, em semanas, com a força dos fãs, o dinheiro necessário para a produção apareceu. O filme foi feito e lançado nos cinemas do mundo todo, em 2014. Sucesso.

A mesma “Veronica Mars” (uma jovem e intrépida detetive particular) terá uma sobrevida, agora via streaming. A plataforma americana Hulu anunciou que a série vai voltar, com todos os seus atores/personagens originais (incluindo Kristen Bell, que faz a protagonista, e atualmente, está em “The good place”), no ano que vem. No caso, não será bem uma continuação, nem remake. Mas um revival com novas histórias. Rob Thomas disse que, desta vez, Veronica não será o centro das atenções. Vários personagens secundários terão sua vez para darem nova dinâmica aos episódios.

Fora isso, Bell e os produtores revelaram, em entrevistas recentes a sites especializados dos EUA, que, terão mais dinheiro para a produção no Hulu (que era algo modesta, no canal aberto CW). E, por isso, os episódios serão mais cinematográficos. Até porque, nos canais de streaming, os episódios não precisam ter aquele tempo certinho da TV, para fazer caber os intervalos comerciais.

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Rugidos

A série dos “Novos titãs”, que anunciamos aqui como uma das primeiras do novo serviço de streaming da DC, será exibida no Brasil via Netflix. Lá fora, começa no próximo dia 12. Aqui, ainda não tem data prevista.

O escritor inglês de romances de terror (e também pintor), Clive Barker, emprestou 150 quadros de seu acervo para serem usados em “O mundo sombrio de Sabrina”, do Netflix.

Estreou esta semana, nas plataformas digitais Disney, uma websérie de programas inspirados no filme “O quebra-nozes e os quatro reinos”, que tem esteia prevista para novembro.

 



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