TOM LEÃO
'O outro lado das redes': sombria realidade
Publicado em 23/10/2026 às 08:02
Alterado em 23/10/2026 às 13:17
Jeremy Allen White, Mickey Madison e Jeremy Strong encarnam três personagens da vida real ligados ao caso dos Facebook Files Foto: divulgação
Quem acompanhou a série ‘The Newsroom’ (HBO, 2012-2014), de Aron Sorkin, passada na redação de um importante telejornal, ficou acostumado com diálogos rápidos e roteiros complexos, muito longe do convencional que se vê na TV. Isso está de volta com ‘O Outro Lado das Redes’ (‘The Social Reckoning’, continuação de ‘A Rede Social’, filme sobre a criação do Facebook, dirigido por David Fincher), que retoma aquele universo, mas troca a origem do Facebook (atual Meta) pela investigação sobre o que a plataforma se tornou. Uma arma que pode influenciar nos comportamentos e na política, tema que está cada vez mais presente nos dias atuais.
O filme (escrito e dirigido por Sorkin) acompanha Frances Haugen (Mikey Madison, Oscar de melhor atriz por ‘Anora’), engenheira do Facebook que, ao tomar conhecimento de pesquisas internas sobre os efeitos nocivos da rede (a plataforma estava redirecionando pessoas para grupos de ódio), decide entregar documentos ao jornalista Jeff Horwitz (Jeremy Allen White, da série ‘The Bear’), do ‘Wall Street Journal’. A história é baseada nos acontecimentos reais que deram origem à série de reportagens conhecida como ‘The Facebook Files’. Haugen continua ativa, envolvida em causas sociais, e Horwitz ganhou o Pulitzer por suas reportagens.
O novo filme também traz Mark Zuckerberg (agora vivido por Jeremy Strong, antes foi feito por Jesse Eisenberg, que não quis repetir o papel para não ficar associado à pessoa que ele hoje repudia) de uma forma bem diferente (parece um robô). Enquanto o primeiro filme se concentrava nas disputas pessoais que acompanharam a criação do Facebook, ‘The Social Reckoning’ foca no poder que a empresa adquiriu e nas consequências sociais de suas decisões. A questão central passa a ser “o que acontece quando uma empresa privada passa a ter uma influência gigantesca sobre a sociedade?”.
Apesar de funcionar como uma espécie de continuação, Sorkin o trata mais como uma obra complementar do que como uma sequência. O filme (que é extremamente verborrágico e nada palatável para o espectador comum) é, essencialmente, um drama jornalístico e político sobre denúncia, responsabilidade e poder tecnológico, usando o caso de Frances Haugen para questionar até onde uma empresa deve responder pelas consequências de sua plataforma. É quase como uma versão moderna de ‘Todos os Homens do Presidente’ (‘All the President´s Men, 1976), sobre o caso que deflagrou o escândalo Watergate, revelado por dois jornalistas do ‘The Washington Post’.
A imprensa ainda tem força.
STREAMINGS+
*Amazon MGM Studios e Prime Video divulgaram ‘Muhammad Ali: O Maior’ , a primeira série de ficção autorizada a narrar a vida do lendário boxeador. A série retrata a história de amadurecimento do jovem Cassius Clay (seu verdadeiro nome, antes de se converter ao islamismo) em suas batalhas pessoais, profissionais e políticas travadas dentro e fora dos ringues. Já foi filme, ‘Ali’ (2001), com Will Smith no papel-título. A produção estreará todos os seus episódios no dia 4 de novembro, exclusivamente no Prime Video.

'Mestre Zu' é o documentário de Zelito Vianna e Luciana Savaget que relembra o recém-falecido e querido Zuenir Ventura Foto: divulgação
*’Fingida’ (‘Phony’) é uma série do Hulu, que acompanha um adolescente que acorda no hospital após um acidente de carro e descobre que sua mãe parece ter sido substituída por uma impostora. A série, estrelada por Connie Britton, entrou esta semana no Disney+
*Com direção de Zelito Viana e codireção de Luciana Savaget, o documentário “Mestre Zu” revisita a trajetória do jornalista, escritor, professor e membro da Academia Brasileira de Letras, Zuenir Ventura (que já foi editor do nosso JORNAL DO BRASIL), falecido recentemente. Um dos pilares do moderno jornalismo brasileiro, ele é relembrado por amigos de vida e das redações, nos vários depoimentos. Inclusive, dele mesmo, ao longo dos anos e mais recentemente.
*O Disney+ anunciou ‘The Land’, a nova série dramática criada, escrita e produzida por Dan Fogelman (‘Paradise’, ‘This is Us’). Estreará em 15 de fevereiro com seus dois primeiros episódios exclusivamente no Hulu do Disney+. Na trama, após várias temporadas decepcionantes, Danny Roarke, o técnico dos Cleveland Browns, tem uma última chance de mudar o rumo de seu time.
*A nova versão de ‘O Beijo da Mulher-Aranha’ chegou ao Telecine e ao streaming, via Globoplay, Prime Video e operadoras. Estrelado por Jennifer Lopez, o musical conta a história do preso político e militante marxista Valentín (Diego Luna), que divide a cela com Molina (Tonatiuh), um vitrinista gay condenado por sua orientação sexual. A direção é de Bill Condom (‘Chicago’, ‘Dreamgirls’).
*Netflix e Globo anunciaram o maior acordo de licenciamento de conteúdo fechado entre as duas empresas. No total, 18 obras originais Globo estarão disponíveis na Netflix a partir de dezembro, dubladas e legendadas em múltiplas línguas – são 14 filmes, 3 novelas e 1 série com licenças para diferentes territórios.
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