Jornal do Brasil

Saúde & Alimentação

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Wilson Rondó Júnior

Degeneração Macular: um Desastre Alimentar

Jornal do Brasil WILSON RONDÓ JUNIOR, drrondo@drrondo.com

A degeneração macular tem se tornado a principal causa de perda de visão. Mas, antes de 1925, os casos não chegavam a 50 em toda a literatura mundial. Após 1940, ela começou a crescer, e a expectativa para 2020 já são 196 milhões de pessoas acometidas. Trata-se de uma destruição irreversível da mácula, (parte de retina), causando a perda da visão central, mas preservando a visão lateral periférica. O primeiro sinal é a visão embaçada, portanto, nestes casos, procure um oftalmologista. O conceito que aprendemos é que é uma consequência inevitável do envelhecimento e da genética, algo que agora se vê de outra forma.

 

No livro “Estratégia Dietética Ancestral para Prevenir e Tratar a Degeneração Macular”, o Dr. Chris Knobbe, oftalmologista, descreve suas pesquisas com populações distintas. Ele observou que possivelmente a degeneração macular seria mais uma doença do erro alimentar do mundo moderno, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, câncer etc. Ele conclui que os alimentos industrializados são a raiz do problema, ausente em populações que consumiam e consomem dietas ancestrais.

 

Portanto, a degeneração macular é uma doença induzida principalmente pela dieta da modernidade no ocidente, rica em carboidrato refinado, grãos, especialmente transgênicos, açúcares, frutose, enlatados, doces, confeitaria, óleos vegetais poli-insaturados e gorduras trans. Além disso, proteínas de animais confinados e laticínios pasteurizados. Com isso, perdemos altas concentrações de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K2), hidrossolúveis (complexo B e C) e minerais (magnésio, zinco, cobre, fósforo, potássio).

Desastre alimentar desde 1880 até hoje

 

As principais alterações dietéticas causadoras das principais doenças metabólicas são:

 

1. Surgimento em 1880 de óleos processados, hidrogenados ou parcialmente hidrogenados. Em 1961, já se consumiam 9 g por pessoa por dia de óleos vegetais poli-insaturados. Em 2000, eles chegavam a 40 g por dia, e isso só vem aumentando. Eles são geradores de gorduras trans, pró-inflamatórios, indutores de resistência à insulina e causadores de aumento excessivo de estresse oxidativo.

2. Introdução de carboidrato refinado na dieta, chegando nos dias atuais a 85% desses componentes na alimentação.

 

3. Aumento de consumo de alimentos processados (produtos industrializados, feitos para serem bonitos, cheirosos, atraentes e durarem nas prateleiras) sendo a grande maioria carregada com óleos vegetais processados e açúcares adicionados.

 

Para se prevenir, é preciso uma alimentação não processada, incluindo frutos do mar e peixes de águas profundas, carne e laticínios (não pasteurizado) de animais a pasto. Enfatize a ingestão de produtos animais como um todo, ou seja, além da carne, também órgãos e tecido conjuntivo (uma boa ideia é caldo de osso e cartilagens). Agindo assim, você certamente vai manter distância da degeneração macular e garantir uma Supersaúde!

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Referências bibliográficas:

•American Academy of Ophthalmology May 17, 2018

•Bright Focus Foundation January 5, 2016

•Retina. 2015; 35(3): 459-66.

•The Weston A. Price Foundation January 1, 2000

•AllAboutVision.com December 2017

•Cure AMD Foundation, Is Age-Related Macular Degeneration (AMD) Preventable — and Treatable — With Diet?

•Arch Ophthalmol. 2001; 119(10): 1417-36

•JAMA. 2013; 309(19): 2005-15

•Knobbe, Chris. Ancestral Dietary Strategy to Prevent & Treat Macular Degeneration. Springville, Utah: Vervante Corporation, 2016, pp. 98-103.