Jornal do Brasil

Saúde & Alimentação

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Wilson Rondó Júnior

Há risco em se exercitar com pressão alta?

Jornal do Brasil WILSON RONDÓ JUNIOR *, drrondo@drrondo.com

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em homens e mulheres. A pressão alta é um grande contribuidor deste problema, e hoje está muito claro que a falta de atividade física é uma das responsáveis por isso. A ciência tem mostrado a importância do exercício com o objetivo de reduzir a pressão, o peso e diminuir o estresse. Mas nada acontece de uma hora para outra. A Clínica Mayo ressalta que, para ver mudanças na pressão arterial, são necessários exercícios regulares por pelo menos 3 meses. Veja o que os estudos mostram:

•Estudo publicado no The British Medical Journal comparou os resultados pressóricos após o exercício de 10 homens com pressão arterial primária sem complicações. No período de repouso, pós-exercício, observou-se queda significativa e sustentada da pressão sistólica, em comparação com as medidas pré-exercício.

•A revista Hypertension publicou uma análise do efeito protetor do exercício em 1.311 participantes afro-americanos. Após um acompanhamento de cerca de 8 anos, concluiu-se que atividades regulares moderadas a vigorosas podem ajudar a reduzir o risco de pressão alta em homens e mulheres.

Resumindo, vários estudos relativos ao assunto mostram que:

1.A adoção de atividade física promove redução pressórica em comparação com medidas pré-exercício.

2.Independente de fatores como pressão arterial inicial, sexo, ou tipo de atividade física, houve redução significativa na pressão arterial pós exercício.

3.A redução de pressão arterial continuou por horas após o exercício.

4.As reduções foram mais significativas quando se usou preventivamente o exercício em pessoas fisicamente ativas e que não faziam uso de anti-hipertensivos.

5.Atividades físicas regulares, moderadas a vigorosas, podem ajudar a reduzir o risco de pressão alta em ambos os sexos.

6.Exercícios regulares podem diminuir a pressão arterial mesmo nos indivíduos que não respondem bem aos tratamentos médicos.

7.Treinamentos de 60 a 90 minutos por semana são os que promovem a maior redução de pressão, e mais tempo que isso não se traduz em maior redução.

8.Os resultados da associação de um programa de exercícios bem estruturado em indivíduos normotensos mostram que os valores de redução de pressão são mais significativos do que nos indivíduos tratados com medicações.

9.Nos pacientes hipertensos, o exercício parece ser tão eficaz quanto muitos dos medicamentos para pressão alta.

Portanto, os indivíduos sedentários que apresentam pressão alta podem desfrutar de melhora à medida que agregam atividades físicas à rotina, mesmo que de baixa intensidade. Contudo, reforçando, isso não quer dizer você deve parar de tomar seus medicamentos e começar com exercícios sem orientação. Converse com o seu médico para definirem juntos o melhor para você. Este é o caminho mais certo e seguro para uma Supersaúde!

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Referências bibliográficas:

•The BMJ, 1982;285(6344):767

•Current Hypertension Reports, 2013;15(6):659

•Hypertension, 2017;69:421

•Center for Disease Control and Prevention, Heart Disease Facts

•American Heart Association, Know Your Risk Factors for High Blood Pressure

•Mayo Clinic, Exercise: A Drug-Free Approach to Lowering High Blood Pressure

•American Heart Association, Getting Active to Control High Blood Pressure

•Centers for Disease Control and Prevention, Physical Activity for a Healthy Weight

•The BMJ, Exercise May be as Effective as Prescribed Drugs to Lower High Blood Pressure

•Mayo Clinic, Stress Management