Jornal do Brasil

Saúde & Alimentação

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Wilson Rondó Júnior

Falta de Gordura Promove a Doença de Alzheimer?

Jornal do Brasil WILSON RONDÓ JUNIOR *, drrondo@drrondo.com

É empolgante ver novas e surpreendentes descobertas sobre Alzheimer mostrando muitas evidências de que se trata de uma doença de deficiência nutricional. Infelizmente, muitos ainda estão presos na crença do século XX, quando se acreditava que o colesterol alto pudesse causar doenças cardíacas e que a solução seria uma dieta com baixíssimo teor de gordura. Cerca de 25% de todo o colesterol presente em seu corpo está no cérebro. Apesar da crença popular, os níveis mais elevados de colesterol estão associados a uma melhor função neurológica e cerebral, memória mais afiada e menor risco de depressão e suicídio.

A pesquisadora sênior Stephanie Seneff, Ph.D., mostra em seu estudo de 2009 que o colesterol baixo e a pouca ingesta de gorduras são fatores importantes no processo da doença de Alzheimer. E que os pacientes com Alzheimer têm apenas 1/6 da concentração de ácidos graxos livres no líquido cefalorraquidiano em comparação com indivíduos sem a doença. Com o colesterol reduzido a nível cerebral, haverá comprometimento do transporte de informações pelos nervos e da própria bainha de mielina.

Outra publicação, de 2008, observou que indivíduos idosos que não eram geneticamente predispostos ao Alzheimer e que tinham os níveis mais altos de colesterol (incluindo LDL) tinham melhor memória. Outro estudo, de 2018, observou o mesmo. Os pesquisadores avaliaram os níveis de colesterol total dos participantes do Framingham Heart Study, entre 40 e 85 anos de idade, e o colesterol elevado mostrava um menor risco de declínio cognitivo.

Mais um indício em relação ao colesterol baixo e indução de doença de Alzheimer foi publicado em 2014. Nesse estudo, investigou-se o impacto dos níveis de colesterol na deposição da placa beta-amiloide nos cérebros de 74 idosos com média de idade de 78 anos, e observou-se o seu papel na síntese, deposição e depuração de -amilóide (A).

Conclusão

Dado o forte papel positivo desempenhado pelo colesterol e da comprovação de que uma dieta extremamente rica em gordura (cetogênica) melhora a capacidade cognitiva em pacientes com Alzheimer, é aconselhável, portanto, consumir de 65 a 80% de gordura, 25 a 15% de proteína e 10 a 5% de carboidrato. Um estudo sobre os efeitos de dietas na saúde do cérebro revelou que dietas ricas em carboidratos e pouca gordura aumentam o risco de demência em 89%, enquanto dietas ricas em gorduras reduzem o risco de demência em 44%.

Além disso, pode-se supor que os medicamentos com estatinas aumentariam o risco de desenvolver a doença de Alzheimer. A médica e pesquisadora Beatrice Golomb, que chefia o grupo de estudo sobre estatinas da University of California, San Diego, está cada vez mais convencida disso. Suas avaliações mostram a relação risco-benefício da medicação: as estatinas não devem ser recomendadas para os idosos, pois neste caso, os riscos superam claramente os benefícios. Ou seja, tanto uma dieta com baixo teor de gordura quanto um tratamento medicamentoso com estatina aumentam a suscetibilidade ao Alzheimer. Fique atento a essas informações e não deixe de conversar com seu médico. É o seu futuro que está em jogo!

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Referências bibliográficas:

•Great Plains Laboratory November 16, 2015

•JAMA Neurology 2014;71(2):195-200

•Medical News Today December 31, 2014

•American Journal of Geriatric Psychiatry 2008 Sep;16(9):781-5

•Alzheimer’s and Dementia July 2018; 14(7): 952-960

•The Conversation March 5, 2018

•J Alzheimers Dis. 2012; 32(2):329-339