Pré-sal aumenta 39,3% e já produz 67% do óleo em 2020

Com uma produção média diária de 1,535 milhões de barris/dia de óleo e GLN, no 1º semestre, a região do pré-sal (nas Bacias de Campos e de Santos) registrou aumento de 39,3% sobre a produção dos primeiros seis meses do ano passado e atingiu a marca recorde de 67% da produção nacional de óleo e GLN no período, que foi de 2,282 milhões de barris/dia, com alta de 13,4% sobre igual período de 2019. Considerando a produção de gás natural, a Petrobras informou no começo da noite desta 3ª feira, 21 de julho, ter gerado 2,806 milhões de barris dia ou equivalentes, um aumento de 11,9% sobre igual período de 2019.

A crise da Covid-19, que reduziu drasticamente a demanda interna e externa de petróleo, fez a Petrobras “hibernar 62 plataformas que operam em águas rasas, dado que os preços não cobrem os custos variáveis. Apesar da queda abrupta da demanda em fins de março e em abril, a produção média de óleo, LGN e gás natural no 2T20 foi de 2,802 MMboed, 6,4% maior do que a do 2T19 e apenas 3,7% abaixo do 1T20. A companhia disse que apesar da crise da Covid-19 vai manter “a meta de produção para 2020 de 2,7 MMboed, com variação de 2,5% para cima ou para baixo”.

Reforço no pré-sal

Em proposta que será apresentada nesta 4ª feira aos acionistas da companhia, a Diretoria da Petrobras propõe um plano de investimento de capital para este ano de R$ 39,414 bilhões, dos quais R$ 31,045 bilhões (78,7%) serão destinados ao segmento de Exploração & Produção, com ampla prioridade às atividades no pré-sal, já que além da hibernação de plataformas em águas rasas no litoral do país, a empresa colocou à venda campos maduros no mar da Bacia de Campos e em terra.

As áreas de Refino, Transporte, Gás& Energia ficarão com R$ 6,234 bilhões e outros R$ 2,135 bilhões serão aplicados pelo Segmento Corporativo.

Em nota divulgada hoje, após o fechamento dos mercados, a estatal disse que “tal resultado foi viabilizado pela rápida reação da companhia aos desafios impostos pela recessão global causada pela pandemia. No mês de abril, iniciativas integradas de logística e marketing permitiram o crescimento das exportações, o que compensou a contração da demanda doméstica por combustíveis.

Prioridade para novos campos

A Petrobras destacou ainda ter dado partida – em meio à pandemia - na plataforma P-70, tendo o primeiro óleo do Campo de Atapu, na porção leste do pré-sal da Bacia de Santos, próximo ao campo de Búzios, sido extraído no dia 25 de junho. A jazida compreende os campos de Oeste de Atapu, Atapu e uma parcela de área não contratada da União, com uma participação de 89% da Petrobras. A P-70 contribuirá para ampliar o crescimento da produção de óleo equivalente no pré-sal.

“A plataforma possui capacidade para processar diariamente até 150 mil barris de óleo e tratar até 6 milhões de m³ de gás natural. As plataformas instaladas no campo de Búzios (P-74, P-75, P-76 e P-77), no pré-sal da Bacia de Santos, atingiram novos recordes de produção no dia 13 de julho, com marcas de produção diária de 674 Mbpd de óleo e 844 Mboed de óleo e gás. Com a maximização do uso da capacidade instalada das unidades e a interligação de apenas quatro a cinco poços por plataforma, suportada pelo alto potencial de produção dos poços e do reservatório, viabilizamos o aumento da capacidade de produção de óleo nas quatro unidades, obtendo produção média de 168 Mbpd por plataforma”, diz a nota da estatal.

O campo de Búzios, descoberto em 2010 e cujos direitos de exploração e produção do excedente de cessão onerosa foram adquiridos pela Petrobras em novembro de 2019, é o maior campo de petróleo em águas profundas do mundo. É um ativo de classe mundial, com reservas substanciais, baixo risco, baixo custo de extração e resiliente a cenários desafiadores.

A Petrobras destacou ainda ter atingido “a marca de 1 bilhão de barris de óleo produzidos na Área de Parque das Baleias, que se soma à lista dos campos que já atingiram esse nível de produção acumulada (Marlim, Marlim Sul, Roncador e Área de Tupi). A Área de Parque das Baleias, composta pelos campos de Jubarte, Baleia Anã, Cachalote, Caxaréu e Pirambú, na Bacia de Campos, litoral do Espírito Santo, teve sua produção iniciada em 2002 e protagonizou a entrada em produção do 1º poço no pré-sal do Brasil em 2008”.

“Ainda no 2T20, demos continuidade à priorização da produção em águas profundas e ultraprofundas, concretizando o desinvestimento do Polo Macau e, em linha com nosso compromisso com a Agenda de Baixo Carbono e Sustentabilidade, alcançamos novo recorde mensal de aproveitamento de gás natural, com a marca de 97,7% registrada em abril, contra média de 97% em 2019”.

Queda e recuperação no refino

“No refino, a produção foi significativamente impactada pela redução da demanda, principalmente em abril, quando fator de utilização (FUT) chegou a 59%. Foram feitas otimizações nas nossas refinarias de forma a adequar a produção de derivados às variações na demanda, buscando alcançar a máxima rentabilidade do parque de refino.

Com isso, priorizamos a produção de bunker e óleo combustível, o que nos possibilitou alcançar recordes nas exportações de óleo combustível em maio e, à medida que o consumo interno foi se recuperando, fomos readequando o mix, o que permitiu que o FUT do refino retornasse aos patamares anteriores à pandemia, alcançando 74% e 78%, nos meses de maio e junho, respectivamente.

Recorde na exportação

“Reforçamos que no mês de abril a Petrobras exportou o equivalente a 30,4 milhões de barris (mais de 1 milhão de barris por dia), estabelecendo assim o novo recorde mensal de volume de petróleo exportado. O recorde anterior havia sido atingido em dezembro de 2019, com média de 771 mil barris por dia. No trimestre, a exportação totalizou 74 milhões de barris na visão física”.

“A exportação de derivados subiu 22% em comparação com 1T20, com destaque para o mês de maio, com vendas externas de 290 Mbpd, composta, na maior parte, por correntes de óleo combustível de baixo teor de enxofre”

No mês de junho, a Replan atingiu o recorde de produção de 31 Mbpd de óleo combustível de baixo teor de enxofre, número 24% superior ao recorde anterior, de 25 Mbpd. O mês de junho também foi marcado pela retomada das operações de uma unidade de destilação (U-200A) e uma unidade de craqueamento catalítico (U-220), para atendimento ao aumento da demanda de mercado por derivados. Com o retorno dessas unidades, a Rreplan volta a ter capacidade de processar 434 mil barris de petróleo por dia, a maior do nosso parque de refino. Além disso, houve recorde de produção de diesel S10, produto de alto valor agregado, em junho de 2020.

A produção média de óleo, LGN e gás natural no 2T20 foi de 2.802 Mboed, o que corresponde a uma produção comercial de 2.474 Mboed. Dessa forma, na comparação com o 1T20, tivemos uma redução de 3,7% e 5,1%, respectivamente, principalmente em função dos impactos oriundos da pandemia do Covid-19, que resultaram em: (a) hibernação das plataformas que operam em águas rasas e não são resilientes a baixos preços de petróleo, (b) interrupção temporária de produção nos FPSOs Cidade de Santos, Cidade de Angra dos Reis e Cidade de Mangaratiba, na Bacia de Santos, e no FPSO Capixaba, na Bacia de Campos, e (c) queda na demanda, mais acentuada no mês de abril, com recuperação nos meses de maio e junho. Apesar das dificuldades enfrentadas, conseguimos manter a produção de óleo no Brasil no patamar planejado.

No 2T20, a produção nos campos do pré-sal foi 1% inferior ao trimestre anterior, o que reflete os impactos da redução de produção, em especial em maio, com a interrupção da produção na área de Tupi para desinfecção nos FPSOs Cidade de Angra dos Reis, de 05 a 17 de maio, e Cidade de Mangaratiba, de 30 de abril a 10 de maio, e do atraso na resolução de problemas operacionais cuja manutenção demorou mais que o esperado em função das restrições de embarque decorrentes da COVID19, principalmente na P-67 e P-74. Esses eventos foram parcialmente compensados pela menor realização de paradas programadas no 2T20 em relação ao 1T20.

Destacamos ainda importantes marcos alcançados no pré-sal no 2T20, com o início de produção da plataforma P-70, no Campo de Atapu e o crescimento da produção no Campo de Búzios, que alcançou novo recorde no dia 13 de julho, com marcas de produção diária de 674 Mbpd e 844 Mboed.