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Barril em queda força Petrobras a cortar custos

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Com a forte queda nos preços do barril do tipo Brent (o barril do petróleo do Mar do Norte, referência mundial para o produto caiu de US$ 63 no 2º semestre de 2019 para US$ 43 na 3ª feira, 14.07, após ficar abaixo de US$ 30 em abril, e só voltará acima de US$ 50 a partir de abril de 2024, segundo as cotações futuras de hoje) a Petrobras ampliou o esforço que já vinha fazendo para reduzir os custos operacionais, sobretudo na produção de petróleo, mas que também vai enxugar os quadros da estatal após a venda de muitas unidades off petróleo.

A concentração dos negócios no pré-sal, que já se aproxima dos 70% da produção, após a suspensão de operações de campos em águas rasas (que tinham custos de extração de US$ 26,8 por barril, fora os custos de afretamento + U$ 1,8/2,0 por barril) e de terra (US$ 16,70 + afretamento de US$ 1,8), deixou a estatal mais confortável. Mas a redução de 50% nos custos e no tempo de construção em águas profundas no pós-sal do Espírito Santo mostra que a pressão dos custos faz surgir a criatividade.

Ao aplicar um novo conceito - TOTUS – para otimização de todas as fases de construção de um poço (do projeto de planejamento até as diversas etapas da construção) a Petrobras registrou no começo deste mês a conclusão em apenas 44 dias (54% a menos que o prazo habitual de 96 dias) a construção do poço submarino 7 GLF 49H ESS, no campo de Golfinho, na Bacia do Espírito Santo, a 100 km de Vitória.

Trata-se do poço pioneiro do pós-sal construído com a uso do conceito True One Trip Ultra Slender (TOTUS), que busca simplificar e reduzir o tempo gasto nas etapas de perfuração e completação, a partir de otimizações e inovações inseridas nas fases de projeto e planejamento. O mais importante na redução do tempo e simplificação das etapas, é que o preço inicial estimado em US$ 59 milhões, caiu para US$ 30 milhões, abaixo da meta que era de US$ 31,5 milhões.

O poço 7 GLF 49H ESS tem previsão de entrar em operação em outubro de 2020 produzindo aproximadamente 12 mil barris de óleo por dia. A Petrobras acredita que pode aplicar esse conceito em seus novos poços, em diversos campos maduros do pós-sal, no período de 2021 a 2025, com potencial de redução de custo entre US$ 20 e 35 milhões por poço.

Segundo o gerente executivo de Construção de Poços Marítimos da Petrobras, Samuel Bastos de Miranda, o trabalho integrado de diversas disciplinas, tais como geologia, engenharia de reservatórios, engenharia de poços, engenharia submarina, centro de pesquisas e suprimento de bens e serviços, permite, no conceito TOTUS, realizar a perfuração em apenas 3 fases (Ultra Slender) e a completação (superior e inferior) instalada numa manobra única (True One Trip), diferente das configurações tradicionais (4 ou 5 fases de perfuração e 2 ou mais manobras para instalar a completação).

Esse conceito pode dar uma sobrevida à Bacia de Campos (que se estende até o ES) e estava sendo posta em hibernação pela Petrobras à espera de reação dos preços no mercado internacional. O novo método de produção pode servir para revalorizar a área mesmo que a Petrobras mantenha a disposição de se desfazer de alguns campos maduros.

Eficiência é um chamariz na crise

Outra prova de que é possível tirar leite de pedra durante a crise foi dada pela Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), onde foram concluídos sábado (11.07) os testes em escala industrial para a produção do diesel renovável.

Por uma infeliz coincidência os testes do novo combustível que traz benefícios ambientais e de qualidade, ao reduzir as emissões de gases do efeito estufa, e melhorar o desempenho dos motores em comparação ao biodiesel, ocorreram no dia em que o ex-deputado federal Alfredo Sirkis (PV-RJ), um lutador pela descarbonização do Planeta, morreu em acidente de carro no Arco Metropolitano, no Grande Rio.

Seria uma bela homenagem batizar o novo óleo - resultado do processamento de 2 milhões de litros de óleo de soja, que (sem milagre da multiplicação) geraram, devido à sua participação residual, a produção de cerca de 40 milhões de litros de óleo diesel com conteúdo renovável - de Diesel Sirkis.

O diesel renovável é produzido por meio do processamento de matéria prima renovável, como óleo vegetal ou gorduras animais, em conjunto com o diesel mineral em unidades de processamento nas refinarias de petróleo. O produto final é quimicamente idêntico ao diesel mineral, com origem renovável, que é conhecido internacionalmente como Green Diesel (Diesel Verde).

O diesel renovável também melhora o desempenho dos motores, evitando problemas como entupimentos de filtros, bombas e bicos injetores. Atualmente, o biodiesel é misturado ao diesel mineral em uma proporção de, no mínimo, 12% pelas distribuidoras de combustível, e chegará a 15% até 2023.

Parece contraditório que o teste seja feito na Repar, uma das refinarias que a Petrobras vai privatizar. Mas, se der certo vai valorizar a unidade na venda.

Só falta o mea-culpa do governo Bolsonaro

Por falar em meio ambiente, o vice-presidente Hamilton Mourão, coordenador do Conselho da Amazônia Legal, já fez a autocrítica parcial dos erros do governo Bolsonaro na questão ambiental, sobretudo na Amazônia. Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou sair pela tangente pedindo compreensão e ajuda financeira dos países ricos para que o Brasil cuide melhor da região, coibindo desmatamentos e queimadas.

Só falta Jair Bolsonaro ajoelhar no milho, castigo que o novo ministro da Educação deve considerar adequado, para completar o mea-culpa do governo. Em 18 meses de mandato, o governo Bolsonaro liberou geral na região enquanto desativava o arcabouço de repressão a invasores de terras, garimpos ilegais e invasão de terras indígenas, por parte do Ibama e Polícia Federal.

A carta subscrita nesta 3ª feira por 13 ex-ministros da Fazenda (desde a redemocratização do país) e 8 ex-presidentes do Banco Central é eloquente. A culpa é nossa e temos de nos penitenciar para merecer o perdão e retomar a ajuda financeira de Noruega, Holanda e Alemanha) que o próprio governo Bolsonaro (do alto de sua soberba ignorância) recusou, como se fosse uma ingerência em assuntos internos do Brasil.

Na Alemanha, não zelar pelo quintal gera denúncia do vizinho à Prefeitura.

PIB-Br, do Banco Central, frustra previsões

O aumento de apenas 1,31%, descontado os efeitos sazonais, do IBC-Br de maio, o índice mensal de atividades apurado pelo Banco Central, frustrou as previsões do mercado financeiro. O Itaú previa um crescimento de 5,6% em maio, após a queda de 9,73% em abril. A LCA Consultores decretou que o dado mostrou que “a atividade econômica continuou fraca em maio”.

De fato, no trimestre mais afetado pela pandemia do Covid-19 (março, abril e maio), a queda acumulada do IBC-Br, que funciona como um indicador antecipado do PIB trimestral calculado pelo IBGE (resultado do 2º trimestre - período abril a junho - será divulgado dia 1º de setembro) foi de 11,43%. No acumulado do ano a queda é de 13,48%