Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Itaú espera que Copom promova queda de 0,25% na Selic

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

O Departamento Econômico do Itaú mantém a confiança de que “o Copom reduza a taxa Selic em 0,25 p.p., para 4,25% a.a., na reunião de 4 e 5 de fevereiro”, segundo informe publicado nesta sexta-feira, 31 de janeiro. Esta será a menor taxa da história.

E o maior banco privado brasileiro acredita em nova queda para 4% ao ano na reunião de 17 e 18 de março. E, ao contrário do mercado, espera que a taxa só volte a subir para 4,50% em 2021. A aposta do mercado, na semana passada esperava aumento para 6,25%.

Os Top 5, as cinco instituições que mais acertam as previsões, esperavam alta da Selic para 6%. O Bradesco apostava em 4,15% e 6,25% ao ano, respectivamente.

O Itaú baseia suas previsões de inflação controlada no cenário de mercado (que inclui câmbio e taxa de juros de acordo com a pesquisa Focus) no qual o IPCA deve “recuar de 3,5% para 3,4% em 2020, e continuar em 3,4% tanto em 2021 quanto em 2022”. No cenário híbrido 1 (que considera câmbio constante e taxa de juros de acordo com a pesquisa Focus), as estimativas devem recuar de 3,7% para 3,5% em 2020 e continuar em 3,7% para 2021 e em 3,5% para 2022.

O Itaú considera que “os fatores de risco para a trajetória de inflação evoluíram de maneira positiva desde a última reunião, com medidas de núcleos mantendo dinâmica benigna e as expectativas de inflação permanecendo ancoradas [o choque da carne, como antecipamos, seria desfeito em janeiro].

O Itaú acrescenta que “a trajetória das projeções indica que as autoridades podem ser surpreendidas com uma inflação mais baixa que esperado no primeiro trimestre de 2020”.

Quanto à atividade econômica, observa “uma tendência de recuperação gradual, embora dados mais recentes tenham mostrado resultados ambíguos. A capacidade ociosa da economia segue elevada sob diversas métricas”.

O Itaú alerta ainda que, para definir os ”próximos passos da política monetária, será importante observar se o comunicado da reunião sinalizará a intenção de fazer uma pausa para avaliar os efeitos defasados do processo de flexibilização monetária, ou se deixará em aberto a possibilidade de um ajuste adicional”.

O Depec acredita que o comitê deverá destacar, como de costume, que seus próximos passos dependerão da evolução dos dados econômicos, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Desempregados ainda são 11,6 milhões

O índice de desemprego caiu para 11% no trimestre outubro-novembro-dezembro (era de 11,8% no trimestre julho-agosto-setembro) e de 11,6% no mesmo período do ano passado.

São 11,632 milhões de pessoas em busca de trabalho. Como o mercado está criando empregos apenas na faixa até dois salários mínimos (nas demais faixas nem chega a haver reposição completa), há forte pressão para baixa no valor da mão de obra.

Bancos brasileiros analisam impacto do Coronavírus

Os departamentos econômicos do Itaú e do Bradesco, os dois maiores bancos privados brasileiros publicaram hoje análises resumidas sobre o impacto do coronavírus, que eclodiu na China, sobre a economia mundial e particularmente sobre a brasileira, que tem na China o principal mercado para suas exportações de petróleo bruto, minério de ferro, soja, milho, carnes (bovina, suína e de frango), açúcar e celulose, entre outros produtos.

Visão do Itaú é otimista

“A epidemia de coronavírus, centrada na China, tem motivado aumento de aversão ao risco e depreciação de ativos de economias emergentes, inclusive os brasileiros. Acreditamos que tais efeitos tendem a ser passageiros e que, a médio prazo, esses desenvolvimentos configuram pressão negativa sobre a atividade econômica global, e um potencial risco de baixa para a recuperação no Brasil”.

Visão do Bradesco é mais pessimista

Para o Depec do banco da Cidade de Deus, “o Coronavírus pode frustrar tentativa de estabilização da atividade econômica mundial”. O banco salienta que a “paralisação de grande parte das atividades na China e o movimento de aversão ao risco nos mercados poderão postergar ou suavizar, no mínimo de forma pontual, a recuperação esperada para este início de ano”.