Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Vitória 10.000 vira derrota de R$ 444 milhões para Petrobras

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

O polêmico navio sonda Vitória 10.000, que pertencia à Schain Petróleo e foi tomado pela Petrobras no curso das investigações da Lava Jato que detectaram irregularidades na licitação vendida pelo grupo Schain (que entrou em crise) foi finalmente vendido esta semana em leilão. O ativo foi tratado como sucata e a estatal apurou apenas US$ 15 milhões na venda (R$ 60 milhões).

A Petrobras já tinha reconhecido, no balanço do 3º trimestre deste ano, um prejuízo de R$ 444 milhões com a baixa contábil do navio sonda Vitória 10.000, motivo de um enorme imbróglio que envolveu corrupção de diretores e gerentes da estatal e a intermediação do pecuarista José Carlos Bumlai. Bumlai tomou empréstimo de R$ 4 milhões, em outubro de 2004, no Banco Schain para cobrir rombos do PT na campanha da 1ª eleição de Lula, em 2002, e nas eleições municipais de 2004.

Como a conta não foi paga, acrescida de juros e mora, chegou a R$ 21 milhões. Para sanar o impasse, o grupo Schain, que também atuava na construção civil e criou um braço para participar da exploração de petróleo, pediu a intermediação de Bumlai e próceres do PT para vencer uma concorrência em 2009, na qual seria usada a sonda Vitória 10.000.

O navio, de 227 metros de comprimento, entregue pelo estaleiro coreano Samsung, em 2010, era especializado em perfurações em águas ultra profundas e atuou na Bacia de Campos..

Como investigou a Lava Jato, o Schain ganhou o contrato e zerou a dívida com Bumlai. Ele se aproximou de Lula em 2002, como um dos representantes do agronegócio, mas sempre teve experiência de lidar com a alta administração pública, pois era vice-presidente da Constran Engenharia. A Constran, que tinha como controlador o ex-rei da soja, Olacyr de Moraes, depois foi vendida à UIC, de Ricardo Pessoa, também investigado na Lava-Jato.

Pois bem, a Vitória 10.000 foi a leilão nesta semana e foi arrematado por US$ 15,05 milhões, para ser desmontado e virar sucata para a indústria siderúrgica, segundo a corretora norueguesa Bassoe Offshore. A operação abateria em mais R$ 60 milhões os prejuízos da Petrobras.

Desgaste gera perdas na E&P

Equipamentos de perfuração de petróleo têm vida útil de 10 a 25 anos. O desgaste é grande nas explorações em águas profundas e os avanços tecnológicos tornam antigos colossos em “dinossauros”.

No mesmo balanço do 3º trimestre, a diretoria de Exploração e Produção da Petrobras teve de dar baixa contábil de R$ 1,264 bilhão na P-37 gigantesca plataforma de petróleo que atuou no Campo de Marlim, na Bacia de Campos, que foi o maior campo produtor da Petrobras até as primeiras descobertas do pré-sal, em 2007.

Vale lembrar que a P-36, que era a maior plataforma do mundo na ocasião, produzindo 84 mil barris-dia, naufragou em março de 2001, no Campo de Roncador, na Bacia de Campos. Em seu lugar foi operar a P-52, já na modalidade de FPSO (Floating Production Storage and Offloading), navio flutuante que separa água, petróleo e gás e estoca boa parte em seus tanques para transbordo a outros navios ou dutos de petróleo e gás.

Itaú espera que Selic caia a 4% em março

O departamento Econômico do Itaú interpretou o comunicado do Copom anunciando nova queda em dezembro e a possibilidade de nova baixa em função do andamento da conjuntura, incluindo reformas na economia, como sinal de que a Selic pode cair até 4% até março. Vejam os que diz o Itaú:

“Como amplamente esperado, o Copom cortou a taxa Selic em 0,50 p.p., em decisão unânime, para o nível de 5% a.a, o mais baixo da história. O comunicado indica que o próximo passo de política monetária provavelmente será outro corte de 0,50 p.p., levando a Selic a 4,5% a.a. no final do ano.

As autoridades calibraram sua comunicação para reduzir as expectativas, por parte do mercado, de flexibilização monetária adicional, embora as projeções apresentadas, especialmente a de inflação para 2021 no cenário de mercado (3,5%), sugiram que os membros do comitê se sentem confortáveis em levar a taxa de juros para 4,0% a.a.

Esperamos que o Copom reduza a taxa de juros para 4,5% em sua reunião no final deste ano e para 4% a.a. até março de 2020. Teremos mais detalhes sobre o racional do Copom com a divulgação da ata da reunião na terça-feira, 05 de novembro, às 08:00, horário de Brasília”, conclui o Depec Itaú.

Bradesco também acredita em mais cortes

Vejam a análise do Depec Bradesco: “Sobre os próximos movimentos, o BC avalia que o cenário permitirá um ajuste adicional de 0,50 p.p. dos juros, e que eventuais novos ajustes no grau de estímulo requerem cautela”

“Na nossa visão, essa avaliação corrobora nossa projeção de Selic em 4,5% no encerramento do ciclo, mas não descarta reduções adicionais, a depender da evolução do cenário econômico”, diz o Depec no Boletim Diário desta quinta-feira.