Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Bradesco vê queda de juros no mundo e Selic a 4,75%

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

Os dois maiores bancos privados do país - Itaú e Bradesco- receberam com otimismo, em sua análise semanal, os indicadores de agosto e setembro no Brasil e no mundo.

Um dos fatores que chamou a atenção de ambos, ao lado da lenta e consistente recuperação do mercado de trabalho, foram os sinais – expressos pelo Relatório Trimestral de Infçação do Banco Central e confirmados pelo IPCA-15 (que funciona como prévia do IPCA, a inflação oficial) e pelo IGP-M (um dos indicadores com os quais a FGV acompanha a inflação no atacado e no varejo) de que a despeito do susto do petróleo e da alta do dólar, a a inflação mantém-se bastante favorável, com projeções abaixo do centro da meta pelo menos até o final de 2021 em todos os cenários considerados.

Bradesco e Itaú consideram que o ambiente de inflação prospectiva abaixo do centro da meta (4,2%% para 2019; 4,00% para 2020: 3,75% para 2021 e 3,50% para 2022) deve permitir ao Comitê de Política Monetária do Banco Central a continuar com os estímulos monetários à economia, baixando, mais uma vez, a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, em 30 de outubro.

A diferença é que o Itaú espera que a taxa permaneça assim até dezembro de 2020.

Já o Departamento Econômico do Bradesco espera “que o ambiente de inflação comportada – e reforçada pela prévia do IPCA de setembro com núcleos ao redor de 3,00% nos últimos 12 meses e pela deflação do IGP-M neste mês – deva permitir ao BC levar a Selic a 4,75% ao final de 2019”.

O Bradesco lembra que os bancos centrais da grande maioria dos países seguem reduzindo suas taxas de juros, em um contexto de desaceleração da atividade e de inflação baixa. Em linha com as expectativas, o Banco Central do México (Banxico) cortou os juros de 8,00% para 7,75% em decisão divulgada ontem. A instituição reconheceu que o balanço de riscos para a atividade permanece negativo e que a inflação continua arrefecendo.

O Bradesco chamou atenção para a “dissidência dentre os membros do Banxico”, já que um dos membros “votou para uma redução mais intensa, de 0,50 p.p” O Bradesco acredita que há mais espaço para afrouxamento monetário no México, com a taxa de juros atingindo 7,25% no final deste ano e 6,50% em 2020.

Bradesco vê melhora na conjuntura

Para o Depec Bradesco “a recuperação da atividade econômica ao longo do 3º trimestre tem sido confirmada por diversos indicadores. Os dados do mercado de trabalho sugerem melhora em agosto, com criação líquida de empregos formais acima das expectativas e a alta dos salários ainda contida não pressiona a inflação”, motivo que reforça o horizonte de queda de juros, sem risco de recidiva da inflação.

O banco ressalta que “a expansão do crédito chegou a 5,1% no mês passado, puxada pelas linhas ligadas às pessoas físicas, dando suporte à nossa expectativa de impulso da demanda. As confianças do consumidor e do setor de serviços também melhoraram em setembro, refletindo expectativas mais favoráveis, embora as sondagens da indústria, comércio e construção tenham registrado queda ou estabilidade”

Diante disso, “por ora, projetamos expansão do PIB no 3º trimestre (+0,1%) e aceleração nos seguintes”, diz o Bradesco.

Mercado de trabalho: bússolas do Caged e IBGE apontam direções opostas.

Na análise econômica da semana, o Departamento Econômico do Itaú, considerou que “os principais indicadores de emprego trouxeram resultados ambíguos em agosto, com tanto a criação de emprego formal (CAGED) quanto a taxa de desemprego, medida pela PNAD, surpreendendo as expectativas para cima”

Do lado do CAGED, cita a criação líquida de 121 mil empregos no mês, (acima 102 mil que o Itaú previa e dos 100 mil esperados pelo mercado). Já os dados livres de efeitos sazonais apontam para criação de 53 mil postos de trabalho, levando a média móvel de 3 meses para 41 mil empregos, ante 29 mil em julho. Um aumento expressivo de 41%.

Para o Itaú, se esse resultado, for mantido nos próximos meses, seria “consistente com uma aceleração do PIB para um ritmo de 1,4% anualizado” (a taxa prevista pelo Banco Central é de 0,9% para este ano e de 1,8% para 2020; enquanto o Itaú previa 0,8% para 2019 e 1,7% para 2020).

“Já a taxa de desemprego alcançou 11,8% no mesmo período, acima da mediana das expectativas do mercado e da projeção do Itaú (11,6% e 11,7%, respectivamente). No ajuste sazonal feito pelo Depec Itaú, “o desemprego avançou de 11,9% para 12,0%”.

A taxa de subutilização alcançou 24,3%, mesmo patamar de agosto de 2018. Em termos dessazonalizados, o indicador apresentou segundo recuo consecutivo, atingindo 24,3% (-0,1 p.p.). Um dado importante foi o avanço de 1,8% na massa salarial real (total de salários pagos aos trabalhadores no mercado) na comparação ante agosto de 2018 e de 0,4% no trimestre.

Diante disso, o Itaú acredita que “os indicadores corroboram a leitura de retomada apenas gradual da atividade”.

Confiança com sinais ambíguos de melhora

Ainda do lado de atividade, a FGV também divulgou os indicadores de confiança de setembro. Como em agosto, os índices apresentaram resultados divergentes entre os setores. Houve recuo no comércio (-1,5 p.p.) e construção civil (2,5 p.p.), enquanto a confiança subiu no setor de serviços (+1,7 p.p.) e também pela ótica do consumidor (+0,5 p.p.).

Interessante para o Itaú foi o comportamento da indústria. Apesar dos indicadores serem estáveis no geral, “a decomposição do índice foi favorável, dado que houve melhora significativa de sub-componentes que tipicamente antecipam movimentos do investimento – e nesse sentido, podem mostrar um primeiro sinal de aceleração de componente do PIB”, ressalta o banco.