Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Inflação baixa pode levar Selic abaixo de 5%

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

O resultado do Relatório Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira, 26 de agosto, pelo Banco Central confirmou na resposta de uma centena de instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa, o que Bradesco e Itaí tinham antecipado semana passada: a inflação segue em queda (mercado revisou a taxa de 2019 de 3,71% na semana anterior para 3,65% e, a de 2020, de 3,90% para 3,85%) e a queda de juros pode vir abaixo de 5% este ano.

Com a inflação domada, o mercado manteve em 5% o nível da taxa Selic até dezembro (está em 6% ao ano) e baixou de 5,50% para 5,25% para 2020. O Itaú e Bradesco apostam em 5% este ano (já com viés de baixa do Bradesco) e para em 5% para dezembro de 2020.

A incógnita do PIB

Para o PIB, o mercado espera menor crescimento: a mediana das expectativas para o final deste ano passou de 0,83% para 0,80%, enquanto foi reduzida de 2,20% para 2,10% em 2020.

O resultado do Produto Interno Bruto do 2º trimestre será divulgado na quinta-feira, 29, pelo IBGE. O Bradesco espera aumento de 0,2%, refletindo “o descompasso entre os setores industrial e de serviços, com o primeiro apresentando desempenho mais modesto do que o segundo. Vale lembrar que o PIB caiu 0,2% no 1º trimestre.

Analisando o resultado Caged de julho, quando foram criadas 43,8 mil vagas formais de emprego (esta sexta-feira o IBGE divulga a taxa do desemprego do mês passado), o Departamento Econômico do Bradesco, que previa apenas 25 mil vagas e foi surpreendido (idem o Itaú, que esperava 20 mil) considera que descontando os efeitos sazonais, foram geradas 47 mil novas vagas. Um dado alentador, “mas ainda abaixo das 50 mil vagas necessárias para estabilizar a taxa de desemprego”.

O Bradesco considera que o Caged perdeu dinamismo, frente ao 2º semestre de 2018. Esse desempenho sinaliza que o emprego formal tem se recuperado muito gradualmente, com diferenças regionais e alguma volatilidade nos dados mensais. Por isso, considera que a recuperação do mercado de trabalho continuará sendo bastante lenta e projeta que a taxa de desemprego média de 2019, deverá ser maior do que a observada em 2018.

A esperança de melhora vem do fato de que, apesar de as projeções apontarem para um crescimento de 0,80% no PIB (o mercado e os dois bancos apostam neste número), o Depec Bradesco diz em seu Boletim Diário de hoje que “o nível de emprego é consistente com o crescimento do PIB de cerca de 1% em termos anualizados”. Olhando para a frente, “os dados indicam que a economia continua a crescer lentamente, a um ritmo anualizado de 1%, basicamente a mesma taxa que nos últimos dois anos”, conclui o Depec..

Itaú vê reação em gastos de família e investimentos

Já o Departamento Econômico do Itaú é mais otimista e prevê alta de 0,5% no PIB do 2º trimestre em relação ao 1º (queda de 0,2%). Decompondo o lado da demanda, o Itaú prevê que “os destaques serão um aumento de 0,5% nos gastos domésticos e um ganho de 2,4% no investimento”. A liderança da construção civil na criação de empregos em julho parece confirmar isso.

Do lado da oferta, o banco espera “uma diminuição na produção agrícola, compensado por uma melhoria nos serviços e na indústria. Para o 3º trimestre, os dados divulgados até agora permanecem fracos, indicando uma desaceleração do crescimento do PIB”. Sua previsão do ano é de 0,8% (frente a 1,1% em 2017 e 2018.

TirSantander vê crescimento só em 2020

Já o espanhol Santander, onde o atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto era diretor de Tesouraria até outubro de 2018, espera aumento de 0,3% no PIB em relação ao 1º trimestre (0,8% frente ao 2º trimestre de 2018) e considera que “o ritmo de crescimento da economia é a grande questão a afligir os brasileiros”

Assim como o Itaú, o Santander avalia que “a absorção doméstica será a grande indutora de crescimento, impulsionada, principalmente, pelas altas nos investimentos e consumo das famílias”, mas considera que “esta melhora deve ser analisada com cautela”

O banco pondera que há uma deprimida base de comparação (“ainda temos o efeito da greve dos caminhoneiros em maio de 2018”) e a queda dos estoques por conta do ritmo ainda lento da produção industrial”

Diante disso o banco conclui que a taxa de 0,3% no 2º trimestre “é compatível com a expectativa de crescimento de 0,8% para o ano de 2019”.

Tiros sem balas perdidas

Nesses tempos de balas perdidas e de comemorações de tiros certeiros, acontece de hoje até 3 de setembro, no Centro Militar de Tiro Esportivo, na Vila Militar, em Gericinó, no Rio de Janeiro, a Copa do Mundo de Rifle e Pistola da International Shooting Sport Federation (ISSF).

O torneio, que reúne 542 atiradores de 71 países para a disputa em quatro modalidades nas categorias masculino e feminino, e em duas modalidades com equipes mistas, vai selecionar 16 vagas para as Olimpíadas de Tóquio em 2020. O Brasil tem 27 competidores inscritos pela Confederação Brasileira de Tiro Esportivo.

A Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), que é uma das patrocinadoras do evento e da equipe brasileira, vai lançar as linhas premium Match e Tenex, resultado de sua parceria com a inglesa Eley, fabricante muito conceituada entre os praticantes de tiro esportivo.