Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Após Fed, Santander e Itaú apostam em queda de 0,50 na Selic

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

O Santander, 3º maior banco privado brasileiro, também espera queda de 0,50 pontos percentuais na taxa Selic (atualmente em 6,50% ao ano) na reunião de logo mais do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A previsão, que fora apontada pelo Itaú, maior banco brasileiro desde a 1ª quinzena de julho, ficou mais factível depois da redução ainda há pouco do Federal Open Market Committee, que baixou o piso dos juros americanos em 0,25 p.p. para a faixa de 2,25% a 2,00%. 

Em sua maior parte, o mercado financeiro brasileiro aposta numa queda de 0,25 p.p. com a Selic fechando 2019 em 5,50%. É o que pensam o Bradesco (que prevê a manutenção desta taxa até dezembro de 2020) e a mediana do mercado, segundo a última Pesquisa Focus, do Banco Central, encerrada na sexta-feira passada e divulgada neste segunda-feira, 29 de julho.

O Itaú acha que com a aprovação de uma robusta reforma da Previdência em 1º turno na Câmara, está garantido um forte ajuste fiscal e dadas as condições de uma queda mais forte dos juros básicos. A mesma posição passou a ser compartilhada pelo Santander, desde o último dia 26. Vale lembrar que o atual presidente do Banco Central era diretor de Tesouraria do banco espanhol.

A diferença é que o Itaú acredita em novos cortes de 0,50%, com a Selic descendo a 5% até dezembro e assim se mantendo até dezembro de 2020. Já o Santander acredita em futuros cortes de 0,25 (em setembro e novembro), com a Selic fechando 2019 e 2020 em 6,25%.

Daqui a a menos de meia hora vamos ver se o Copom trocou a retranca pela ousadia. 

Queda de juros economiza 40 a 60 bilhões de reais em 12 meses

Eu venho defendendo, há algum tempo, maior ousadia do Banco Central para cortar os juros e forçar uma queda dos juros bancário, que são o que importa, para fazer a economia movimentar-se. Uma economia mais acelerada (em contraponto à atual fase de estagnação) é o melhor cenário para a reforma da Previdência dar certo, pois é o crescimento da arrecadação (via aumento do emprego – ainda lento, segundo a pesquisa do IBGE divulgada nesta quarta-feira) que vai reforçar o caixa do INSS. 

Hoje, fazendo ressalva que não estava pressionando o Copom, como Dilma cansou de fazer, o presidente Bolsonaro manifestou que ficaria satisfeito se a Selic caísse um ponto este ano (para 5,50%) lembrando que isso pouparia uns R$ 40 bilhões a cada 12 meses. Com a queda de 1,50 pp, como defendo, assim como o Itaú, haveria economia de uns R$ 60 bilhões em 12 meses. 

Mas a vida só vai melhorar mesmo se o cartel bancário seguir o exemplo da CEF e baixar os juros para as empresas e consumidores. Ai, o ganho seria de centenas de bilhões de reais.



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