Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Carlos Thadeu vai presidir Conselho do BNDES

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

O economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, diretor financeiro do BNDES na gestão do ex-ministro do Planejamento, Dyogo de Oliveira, e que tinha sido convidado por Joaquim Levy a integrar o Conselho de Administração do banco de fomento, será o novo presidente do Conselho de Administração. Carlos Thadeu, que já foi diretor de Política Monetária do Banco Central e era assessor econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), entra na vaga que seria do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco.

Convidado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, Gustavo Franco aceitou o convite, mas enfrentou resistências, num autêntico ir e vir, que o fizeram desistir da indicação esta semana. Carlos Thadeu, que participou esta sexta-feira, 26 de julho, da apresentação do ministro Paulo Guedes, na Associação Comercial do Rio de Janeiro, aceitou o convite.

Ele considera que há condições de o BNDES devolver bilhões dos aportes feitos pelo Tesouro Nacional ao banco, que estavam em R$ 309 bilhões em março deste ano. Um dos motivos é a queda da demanda de crédito pelos grandes tomadores no país. Por vários motivos, os recursos alocados pelo TN estão ociosos no caixa do BNDES, promovendo um inchaço artificial da dívida pública interna, opinião compartilhada pelo presidente do IPEA, Carlos von Doellinger.

Thadeu listou alguns motivos para a retração dos tomadores: o 1º é que a economia está com baixo dinamismo e o setor industrial, que é o maior tomador, opera com alta capacidade ociosa. Não há grandes projetos para investimento de expansão, apenas projetos pontuais de modernização e redução de custos. Houve queda geral de juros no país. E o diferencial entre a taxa da nova TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo, que está hoje em 7% ao ano e a taxa Básica de Juros, a Selic, em 6,50%, devendo cair a 5,50% ou 5% até dezembro) tornou pouco atrativo o crédito do BNDES.

E, para terminar, com os juros baixos no Brasil e no mundo, as grandes empresas, com bom rating, conseguem captar recursos em ações, debêntures, ou emissão de bônus a níveis confortáveis. Por isso, o economista não vê qualquer problema estrutural na devolução de alguns bilhões ao Tesouro. Ao contrário, o impacto positivo em melhorar os índices de crédito do Tesouro deve beneficiar a todos os tomadores de crédito.

BNDES tem altos salários

Como presidente do Conselho de Administração do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas Gomes vai receber remuneração de R$ 8.113 mil. Pela lei de desincompatibilização do serviço público ele, que deixou a diretoria de Dyogo Oliveira em janeiro, ainda estava em junho em período de quarentena. Como não podia assumir cargos na iniciativa privada (mesma situação vivida por Dyogo de Oliveira, que foi substituído por Joaquim Levy, sucedido agora por Gustavo Montezano, que vai receber R$ 77 mil), recebia proventos do antigo empregador.

Dyogo de Oliveira e Thadeu receberam em junho, segundo o Portal do BNDES, R$ 80,023,17 cada. Mas enquanto o ex-ministro recebeu um adicional de R$ 80.727,64 a título de Remuneração Variável Anual (RVA- parcela à vista), somando R$ 140,750,81, Carlos Thadeu recebeu mais por acumular cargos: R$ 95.535,19, totalizando R$ 175.645,89.

Ex-diretora do banco, desligada por Montezano, Eliane Aleixo Lustosa de Andrade, que comandava as áreas de Desestatização e Estruturação de Projetos, Gestão de Participações e Investimentos, Empreendedorismo e Garantias, foi a que recebeu mais em junho na diretoria montada por Joaquim Levy: salário de R$ 74.101,84, auxilio alimentação de R$ 1.613,47 e R$ 95.869,25 de RVA, somando R$ 171.554,59.