Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Para Itaú, reforma é 1º passo para recuperação gradual

Simplificar os negócios e maior previsibilidade de investimentos, os desafios

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

Maior banco privado do país e praticamente do mesmo tamanho do estatal Banco do Brasil, o Itaú publicou nesta quarta-feira, 17 de julho, o seu “Orange Book”, com análises do desempenho da economia e projeções para o futuro, assinada pelo economista chefe, Mário Mesquita, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central.

Para o Itaú, “o ano de 2019 será de fato mais um período de crescimento fraco. Ao longo dos últimos meses, voltamos a reduzir nossa expectativa de crescimento do PIB, de 1,3% para 0,8% – e mesmo essa projeção mais modesta é dependente de alguma aceleração da atividade no segundo semestre do ano”.

“Nesse mesmo tempo, cresceu a nossa convicção de que, com a reforma votada em primeiro turno na Câmara dos Deputados, o Banco Central voltará a cortar juros, levando a taxa Selic para 5% no final do ano.

Ao analisar a reforma da Previdência, que pode ser aprovada em 2º turno em agosto, o Itaú considera “que a reforma da previdência não resultará sozinha em um salto de crescimento, mas será um primeiro e importante passo para um ciclo virtuoso de recuperação da economia”.

O banco prevê que “a aceleração deve ser gradual, com queda de juros e aumento da confiança se traduzindo, aos poucos, em maior consumo e investimento – algo que deve ganhar mais tração apenas quando os níveis de capacidade ociosa da economia já tiverem apresentado algum recuo”.

“O caminho para uma retomada mais rápida”, sublinha, “passa por velocidade na adoção de outras medidas e reformas que possam aumentar a eficiência da economia brasileira. Em linha com a visão do empresariado, identificamos a simplificação para fazer negócios e o aumento da previsibilidade ao realizar investimentos de longo prazo como os principais pontos de trabalho à frente.

Os detalhes podem ser acessados em: https://www.itau.com.br/_arquivosestaticos/itauBBA/contents/common/docs/072019_port_Orange_Book_n32.pdf

Aqui vai um pequeno resumo da visão do Itaú:

Consumo e produção de bens e serviços

A tendência de baixa observada no início do ano adentrou o segundo trimestre, com indícios de melhora incipiente em alguns setores apenas no mês de junho.

Mercado imobiliário

O aquecimento gradual continua. São Paulo se destaca positivamente, enquanto o mercado no Rio de Janeiro segue em situação desafiadora.

Agropecuária

Gripe suína na China impulsiona preços de proteína, enquanto a quebra de safra nos EUA traz alívio aos produtores de grãos.

Mercado de trabalho

Empresas acreditam que as lições de eficiência ensinadas pela crise devem levar a menor demanda por mão de obra à frente.

Investimento

O “compasso de espera” ainda é postura dominante.

 

Cerco à lavagem de dinheiro

Enquanto a Lava-Jato é atacada, entidades ligadas ao combate à lavagem de dinheiro, que é uma das grandes armas da corrupção e da sonegação fiscal, enviaram proposta à diretoria do Meio Circulante do Banco Central para a retirada gradual de circulação das notas de R$ 100, consideradas mais fáceis para ‘transportar’ grandes fortunas sem chamar tanta atenção.

De fato, como mostram fotos de apreensão, pela Polícia Rodoviária Federal em MG, de R$ 1,5 milhão em espécie em poder de dois PMs aposentados, um pacote de notas de 100 exigiria o dobro em notas de 50.

O caminho mais correto é detectar a movimentação na origem: ou seja quase tudo vem do sistema bancário (saldo as negociações de igrejas, com arrecadação de dinheiro miúdo e graúdo de fiéis, bares e restaurantes, embora a maior parte das contas sejam pagas em dinheiro, e milícias).

Daí a importância da ação preventiva do COAF - Conselho de Controle de Atividades Financeiras, cuja missão é “produzir inteligência financeira e promover a proteção dos setores econômicos contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo”.

A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, de suspender as investigações da Receita Federal e da Polícia Federal, vinculando-as a autorizações prévias da Justiça vai fazer os bombeiros chegarem apenas para fazer o rescaldo do incêndio...

Imposto sobre circulação de dinheiro

Mais importante aí é a eventual recriação do imposto sobre movimentação financeira, no bojo do projeto de simplificação tributária, com substituição de diversos impostos federais por um único de movimentação financeira.

Toda e qualquer movimentação financeira que passasse pelos bancos e meios de pagamento seria rastreada e tributada. Isso impediria a sonegação, traria para os cofres do Fisco (com possibilidade de retorno à sociedade, sob a forma de prestação de serviços) os bilhões que circulam na economia paralela.

Ainda assim, os pastores que trocam a arrecadação junto aos fiéis no fim de semana por dólares na segunda e terça-feira, continuariam a fazer a prática, com os dólares remetidos ao exterior. Salvo se as autoridades também fechassem o cerco nesta área.

O certo é que se todos pagarem e diminuir a sonegação, a carga tributária geral, que é disfarçada em impostos indiretos nos bens de consumo e serviços, poderia ser atenuada para a maioria da população, com real justiça fiscal.

G7 condena criptomoedas

Mas outro fato importante foi a manifestação, em Chantily, na França, dos ministros de Finanças do G7, o grupo dos 7 países com economia mais avançadas do mundo (em termos de tamanho e renda per capita, segundo o FMI - Estados Unidos, Alemanha, Japão, Canadá, França, Itália e Reino Unido, além da União Europeia como um ente supranacional - de ampliar o cerco contra as criptomoedas, que são uma forma moderna de lavagem de dinheiro.

A recomendação é importante porque as criptomoedas estão fora do controle dos bancos centrais de todo o mundo (vale dizer, não há qualquer controle sobre o seu lastro físico, podendo funcionar como pirâmides financeiras, além de facilitar a lavagem de dinheiro da sonegação, do narcotráfico e do terrorismo).

E a manifestação dos ministros tem um novo alvo direto: a Libra. Não a Libra esterlina, moeda inglesa que ficou fora do Euro, na sua criação, nos anos 90, num prenúncio do ceticismo inglês à União Europeia que gerou o Brexit.

Mas a criptomoeda criada pelo Facebook, que tem um poder explosivo, dado o total de mais de 2 bilhões de usuários em todo o mundo. No Brasil, são 120 milhões de usuários (para 210 milhões de habitantes).

Se 1% aplicasse em Libra já seria um problemão, imagine se houver adesão de 10%....