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BC não tem mais desculpa para não baixar juros

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Durante várias reuniões no governo Bolsonaro, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) alegava incertezas no front fiscal, pelas resistências à aprovação de uma reforma da Previdência robusta, para não baixar os juros.

Pois seus problemas (e desculpas) acabaram.

Com a votação acachapante de 379 votos a favor e 131 contra o texto da reforma (até 11 dos 32 deputados do PSB e 8 dos 27 deputados do PDT, que integram o bloco da Oposição) votaram a favor, a ressalva cai por terra.

Não que a reforma (que vai ser submetida à aprovação do Senado, em agosto ou setembro, podendo ter ainda pequenas modificações) seja uma panaceia capaz de resolver os problemas do baixo crescimento e do alto desemprego.

Não haverá mágica no dia seguinte, mas o horizonte ficou menos carregado.

Outra preocupação, a economia internacional, também vai melhorando o horizonte. A fala desta quarta-feira, 10 de julho, do presidente do Federal Reserve Bank, Jerome Powell deixou claro que vem aí uma rodada de juros baixos nos Estados Unidos.

O Banco of America previu ontem que o Federal Open Market Committee (FOMC) vai reduzir de 2,50% para 2,25% ao ano o piso dos juros na reunião do dia 30 deste mês, com tendência a jogar a taxa a 2% até o fim do ano.

Copom deveria baixar Selic em 0,50%, dia 30

Como no mesmo dia o Copom se reúne, com três horas de intervalo, para a decisão final, às 18 horas, todo o mercado financeiro brasileiro, que aposta que a Selic vai baixar dos atuais 6,50% ao ano para 5,50% ao ano até de dezembro e seguir assim até o final de 2020 (salvo o Itaú que é mais radical e prevê queda para 5%, ficando assim até dezembro do ano que vem), acredita numa queda em torno de 0,25% na reunião do dia 30.

Eu sou mais radical.

Como a inflação está abaixo do piso (4,25% este ano e 4% em 2020 e 3,75% em 2021), está mais do que na hora de um choque nos juros, com queda mais substancial neste mês (defendo 0,50%, para 6%, com mais cortes de 0,50% ou 0,25% nas reuniões de setembro, e cortes de 0,2% em outubro [29 e 30] e dezembro [10 e 11]).

Só com um choque o Banco Central teria mais credibilidade para forçar o cartel bancário a forçar a queda dos juros às empresas e aos consumidores, que é o que importa para fazer a roda da economia girar de novo.

Ninguém se iluda, a reforma não vai fazer a economia acelerar (e o desemprego cair) antes de meados de 2020.

Inflação assusta só na Saúde

O resultado da inflação em junho (0,01%) derrubou a taxa acumulada em 12 meses dos 4,66% em maio para 3,37% em junho, pela troca da taxa de 1,26% de junho de 2018 (greve dos caminhoneiros) pela inflação quase zero.

Só não houve deflação porque os preços da assistência à Saúde e Cuidados Pessoais subiu 0,64%, sendo 0,80% nos planos de saúde e 1,08% nos artigos de higiene pessoal.

Por sinal, em 12 meses, os gastos com Saúde e Cuidados Pessoais (+ 4,76%) só sobem menos que os gastos com Educação (4,93%), que tendem a diluir ao longo do ano.

Mas os gastos com planos de saúde seguem sendo o calcanhar de Aquiles da Classe média, acumulando 9,42% este ano, ou quase o triplo da inflação.

Que tal Paulo Guedes colocar uma lupa nessa questão?

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