Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Bradesco e Itaú acham que Selic vai cair em julho

Opiniões foram antes do Fed indicar queda de 0,25% e não de 0,50%

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

A leitura dos dois maiores bancos privados do país, o Itaú e o Bradesco, sobre a Ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, 25 de junho, pelo Banco Central foram coincidentes de que se a reforma da Previdência andar, diante do fraco desempenho da economia, reconhecido pelo Copom e pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que admite que a ecpnomia está estagnada no 2º trimestre, pode levar o Comitê de Política Monetária a reduzir a Selic dos atuais 6,50% ao ano já na reunião de 30 e 31 de julho. 

O problema é que as previsões otimistas foram feitas antes de o presidente do Federal Reserve de Saint Louis, James Bullard, em entrevista à Bloomberg Television admitir cautela quanto à baixa de 0,50 pontos percentuais nas atuais taxas do Fed (entre 2,25% e 2,50% ao ano “Sentando aqui hoje, penso que 50 pontos básicos seriam exagerados", disse Bullard, que era considerado entre os membros que compõem o Federal Open Market Committee (FOMC), inspirador do Copom brasileiro. "Eu não acho que a situação realmente exija isso, mas eu estaria disposto a cortar 25 (pontos básicos)", acrescentou, esfriando os mercados de juros e de ações e commodities em todo o mundo.

Apesar da água na fervura, o Itaú já espera queda na reunião de julho e lembra que o FOMC tomará sua decisão três horas antes, dando tempo para o Copom decidir melhor. 

Ajuste no Ibovespa

No Brasil, o Índice Bovespa, que tinha fechado com forte alta ontem, alcançando os 102.662 pontos na segunda-feira, caiu logo na abertura e seguiu em queda até às 15:30, quando bateu nos 99.994 pontos e ensaiou alguma recuperação, tentando fechar o dia acima dos 100 mil pontos. 

Visão do Bradesco: Selic a 5,75%

“A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reforçou a mensagem transmitida no comunicado da reunião da semana passada, quando a Selic foi mantida em 6,50%. O colegiado reconheceu o fraco desempenho da atividade econômica, com interrupção do processo de recuperação da economia nos últimos trimestres, e reafirmou a leitura de que os núcleos de inflação estão em níveis apropriados. Mais uma vez o comitê enfatizou a importância da continuidade das reformas para uma redução da taxa de juros”.

“Em nossa leitura, a principal mudança contida no documento foi no diagnóstico do arrefecimento da atividade. O comitê reconheceu que os efeitos dos choques sofridos pela economia brasileira ao longo do ano passado se dissiparam, e elencou outros fatores que podem estar restringindo o crescimento, como (i) a desaceleração da economia global e (ii) as incertezas quanto à sustentabilidade fiscal – em um contexto em que há pouco espaço para o investimento público. Nesse sentido, o avanço das reformas é importante para reduzir essas incertezas e estimular o investimento privado.

As projeções de inflação apontadas no documento indicam um quadro benigno no médio prazo – os modelos apresentados indicam inflação abaixo do centro da meta neste e no próximo ano. O comitê reconheceu que o balanço de riscos evoluiu de maneira favorável, mas ponderou ser necessário observar avanços concretos na agenda de reformas para que esse cenário benigno para a inflação se concretize. Em nossa avaliação, o Banco Central deixou aberta a possibilidade de corte de juros nas próximas reuniões, à medida que a agenda de reformas avançar e as condições de contorno da atividade e inflação permitirem um corte de juros. Continuamos, portanto, com a expectativa de cortes na taxa Selic, encerrando este ano em 5,75%. 

Itaú aposta que queda vira em julho

Para o Departamento Econômico do Itaú, dirigido por Mário Mesquita, que quando era diretor de Política Monetária do Banco Central no governo Dilma integrou o colegiado do Copom, “a ata do Copom traz uma clara indicação verbal de que, condicional a avanços concretos na agenda de reformas, o Copom retomará a flexibilização monetária em breve. Esse ponto é colocado no parágrafo 17, no qual as autoridades afirmam que o cenário prospectivo que incorpora cortes de juros produz inflação em torno da meta em 2020 (3,75%). O texto também atualiza a avaliação da atividade econômica, com a concessão explícita de que a recuperação foi interrompida.

Ao mesmo tempo em que expressa uma visão mais benigna sobre o ambiente externo, o Copom apresenta uma avaliação ambígua sobre o impacto do ajuste fiscal na economia. De forma geral, acreditamos que o texto reforça nossa expectativa de que o Copom reiniciará o ciclo de flexibilização com um corte de 0,25 p.p. na reunião dos dias 30 e 31 de julho, condicionado ao progresso concreto no fronte da reforma.

Cabe destacar que a decisão do Copom ocorrerá algumas horas após a divulgação da decisão do FOMC nos EUA, algo que pode ter algum peso sobre as deliberações locais”.