Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Com PIB abaixo de 1%, juro tem de cair, diz mercado

Recados vieram antes de queixas de Guedes e de Levy deixar BNDES

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

Na Pesquisa Focus colhida pelo Banco Central na sexta-feira, 14, antes do ministro da Economia, Paulo Guedes, extravasar sua frustração com a potência fiscal do relatório da reforma da Previdência (que reduziu a R$ 860 bilhões, contra a meta original de R$ 1,25 trilhão), o mercado fez ajustes importantes em suas projeções divulgadas nesta segunda-feira, com revisões baixistas na inflação, no PIB e nos juros. A pesquisa veio ainda antes das duras críticas do presidente Bolsonaro a Joaquim Levy, que levaram a seu pedido de demissão da presidência do BNDES, no sábado à noite.

Com o PIB sendo estimado pela primeira vez abaixo de 1% (em 0,93%, na mediana da pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central, o mercado passou a prever a queda na Selic no final deste ano dos atuais 6,5% para 5,75%, e para o final de 2020 passou de 7,0% para 6,5%. Vale lembrar que o ano começou com o mercado estimando o PIB acima de 2,50%.

A intensificação das percepções de queda da Selic ainda este ano veio junto com revisões baixistas no crescimento do PIB (de 1,0% para 0,93%, contra 1,24% há quatro semanas) e na inflação (de 3,85% para 3,84%, e 4,07% há 4 semanas). Itaú e Bradesco, os dois maiores bancos privados do país já revisaram a alta do PIB este ano, de 1,10% para apenas 0,8%. Já a de 2020 foi revista pelo Itaú de 2% para 1,7%. O Bradesco reduziu de 2,50% para 2,20%;

Para 2020, a mediana das projeções do IPCA ficou praticamente inalterada (de 4% para 3,99%) e o crescimento do PIB teve ligeiro ajuste (de 2,23% para 2,2%). Por fim, as medianas das projeções para a taxa de câmbio no final deste ano e do próximo seguiram em R$/US$ 3,80.

Política de juros em xeque

Decisões de política monetária, no Brasil e nos EUA, serão destaques nesta semana. Quarta-feira, 18, é dia da decisão de juros do Copom. Para o Departamento Econômico do Bradesco, apesar das apostas pela manutenção da taxa Selic, em 6,5% ao ano, a comunicação do Comitê de Política Monetária poderá ser ajustada, de forma a indicar um balanço de riscos para a inflação assimétrico para baixo, sinalizando o primeiro passo para uma redução à frente.

O Bradesco espera queda da Selic para 5,75% este ano e para 6,50% em 2020. Já o Itaú, diante da fraqueza da economia e das baixistas projeções para a inflação (3,6% em 2019 e 2020), reduziu a aposta de 5,75% para 5% este ano e em 2020. Isso sugere que a queda da Selic poderia ser antecipada para a reunião de 30-31 de julho. E viria em doses maiores que 0,25% por reunião.

Um dos motivos que pode reforçar um comunicado mais assertivo na antecipação da queda da Selic este ano é a reunião do FOMC (o Federal Open Market Committee, modelo do Copom), que termina às 15 horas, dando três horas para o Copom ajustar seu comunicado. Espera-se que o FOMC sinalize um ajuste baixista nos juros nos próximos meses. Tal expectativa se explica pela sinalização do presidente do Fed de manter o crescimento norte-americano, em meio aos dados mais recentes de desaceleração da atividade e de arrefecimento do núcleo da inflação.

Vários bancos centrais estão esperando a decisão americana para alinhar suas políticas ao longo desta semana. Na própria quarta-feira o Banco do Japão estará reunido. Na quinta-feira, é a vez do Banco da Inglaterra e na sexta-feira, 21, o Banco Central da Colômbia define a taxa de juros.