O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Os Bolsonaro abraçam derrota com Trump

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Publicado em 04/11/2026 às 14:34

Alterado em 04/11/2026 às 14:34

Os irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro fugiram para os Estados Unidos, como a maioria dos golpistas de 8 de janeiro de 2023 que não foram alcançados pelas garras da Justiça, confiando na proteção do seu guru, o presidente americano Donald Trump.

Mas antes de completar uma semana em solo americano, para onde fugiu, após receber quase 60 milhões de votos e perder por diferença de 4,430 milhões de votos para Lula, que alcançou 64,256 milhões de sufrágios, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conheceu a fragorosa derrota de Trump.

E o presidente, a quem os irmãos apelaram para retaliar o governo Lula com tarifas e declarações de “organizações terroristas” para o PCC e o Comando Vermelho, além de sanções aos ministros do Supremo Tribunal Federal que condenaram o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tramar contra o Estado Democrático de Direito, se transformou em “pato manco”.

A realidade do 'pato manco'

Nos dois anos finais do mandato, com a perda da maioria no Senado e na Câmara dos Representantes para os Democratas, o presidente terá os superpoderes diminuídos.

Segundo o “The Wall Street Journal”, os Democratas assumiram o controle do Congresso e sinalizaram imediatamente que pretendem atacar o presidente Trump. Ele precisa decidir rapidamente se fará acordos com eles, se tentará usá-los como bode expiatório ou se continuará liderando da mesma forma que vem fazendo desde janeiro de 2025.

No caso, com as bancadas Republicanas em minoria nas duas casas, resta-lhe tentar aplicar vetos às propostas dos Democratas.

Fim de mandato

Ele agora é oficialmente um presidente em fim de mandato e, após a derrota acachapante de terça-feira à noite, provavelmente não terá o mesmo controle sobre seu próprio partido que tinha antes, sentencia o porta-voz de Wall Street.

A reação do mercado

Por sinal, enquanto o Dow Jones sobe 2,57% e o S&P 500 avança 1,50%, o S&P 500 Vix, o indicador futuro de ações da Bolsa de Chicago apresenta um tombo de 15,84%.

A última grande queda do S&P 500 Vix ocorreu na crise financeira mundial de setembro de 2008, com o colapso do mercado do “subprime” de hipotecas. O mercado demorou mais de cinco anos para se reerguer.

Os juros futuros tiveram leve baixa, ajudados pela nova queda do Brent para entrega em janeiro, cotado a US$ 98,75 (-4,57%) e o dólar perdeu terreno frente ao euro, à libra, ao iene e ao franco suíço e diante do dólar australiano.

Já o dólar subia 0,25% ante o real, cotado a R$ 5,5043, às 13:30 (hora de Brasília) no dia da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que deve decidir pela pausa na queda da Selic em 13,75% ao ano.

Trump depois do tombo

Em entrevista ao “Journal” na noite de terça-feira, Trump disse que trabalharia com os democratas se eles quisessem encontrar um terreno comum, mas que vetaria as iniciativas às quais se opusesse.

O resultado das eleições de meio de mandato mostra que seu governo perdeu a confiança dos eleitores. Ele enfrentará uma série de decisões difíceis quase que imediatamente.

Meia volta, volver?

Novas tarifas, sanções e iniciativas de guerra tendem a sofrer restrições dos deputados e senadores da maioria Democrata. O mais provável, já que o impacto inflacionário das tarifas e da guerra no Golfo Pérsico no custo de vida motivou a guinada “azul”, é a pressão para redução dos impostas às importações.

O que pode ser bom para o Brasil.

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