O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Eleições nos EUA podem ajudar Selic

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Publicado em 28/10/2026 às 14:26

Alterado em 28/10/2026 às 14:33

As eleições para renovação do Congresso dos Estados Unidos em 3 de novembro – com provável vitória dos Democratas na Câmara e possível empate no Senado – podem levar o Federal Reserve a pausar os juros na reunião de hoje. Isso ajuda o Banco Central, se o mercado de câmbio se acalmar, a promover nova baixa da Selic em 0,25% para 13,50% na reunião do Copom, em 4 de novembro.

O câmbio virou uma gangorra na segunda-feira, 26 de outubro, quando os investidores que tinham apostado na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desde a vitória parcial do primeiro turno, foram surpreendidos pela virada do presidente Lula, com vitória por 4,430 milhões de votos no segundo turno.

O dólar voltou a subir 8,79% e pode ter estreitado as margens e até gerado pesados prejuízos aos investidores que não se protegeram com "hedge" no câmbio e nas ações. O Banco Central e o Tesouro atuaram em conjunto vendendo dólares das reservas cambiais para atender a demanda do mercado e recompraram papéis com cláusula de IPCA + juros, para evitar escalada nos juros da dívida.

Na terça-feira, os investidores que apostaram fielmente em Flávio Bolsonaro ficaram duplamente órfãos e atônitos sem sua aparente liderança política. É que surgiram as primeiras notícias de que o senador, cujo mandato e a imunidade do foro especial terminam em 31 de janeiro de 2027 (meu aniversário), pensou primeiro em si e, sem entregar os passaportes ao ministro Alexandre Moraes, do STF, fugiu para os Estados Unidos, onde desembarcou na manhã de quarta-feira. O quadro político na Câmara e no Senado pode mudar com a fuga precipitada do líder da ultradireita.

A manchete do "Wall Street Journal" resume tudo:

"Bolsonaro desembarca em Miami após fugir do Brasil", seguido da explicação: "O candidato derrotado à presidência enfrenta duas investigações criminais em seu país de origem, que cancelou seus passaportes".





Entre o primeiro e o segundo turno, a menor cotação do dólar foi registrada no dia 5 de outubro (R$ 4,9529), mas o mercado fechou o dia a R$ 4,9936 (-4,21%). Considerando o pico de R$ 5,6057 do dia 26 de outubro, quando fechou a R$ 5,4154 (alta de 8,79%), a oscilação máxima do dólar ficou em 13,18%.

Já o Ibovespa, que chegou a acumular alta de 42,2% em 52 semanas até o pico de 209.713 pontos, no dia 9 de outubro, desceu a ladeira desde o dia 26 de outubro e com o Ibovespa em 170.815 pontos (-2,79%), às 13:10 desta quarta-feira, e registrou baixa de 18,55% desde 9 de outubro.

Eleição presidencial: alguns cálculos

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito no segundo turno, com 51,8% dos votos válidos (64.256.132), contra 48,2% de Flávio Bolsonaro (59.826.041), invertendo o resultado do primeiro turno, quando Flávio terminara à frente, com 47,0% dos votos (56.104.503), ante 45,2% de Lula (53.879.538).

Lula conquistou 10.376.694 votos adicionais entre os dois turnos. Flávio, outros 3.721.538. Juntos, ampliaram suas votações em 14.098.232 votos. E de onde vieram os votos que mudaram o quadro: foram 9.316.747 votos destinados aos demais candidatos no primeiro turno, 2.960.239 votos de aumento líquido do comparecimento com a redução histórica da abstenção eleitoral (que caiu 33.469.244) para 30.509.005) e 1.821.246 votos provenientes da diminuição dos brancos e nulos (de 5.975.047 para 4.153.801).

Se no primeiro turno 48.766.038 não comparecem ou votaram nos outros candidatos, em branco ou nulo, no segundo, a diferença gerou 14.098.232 de votos a mais nas urnas, dos quais Lula capturou 10.376.694 votos e Flávio apenas 3.721.538.

Daí a diferença pró Lula de 6.655.156 votos, inverteu, de virada, a frente de 2.224.965 de votos de Flávio, no primeiro turno, para a vitória final de Lula por 4.430.191 votos.

A abstenção recuou 1,9 ponto percentual entre os turnos, de 21,1% para 19,2%, elevando o comparecimento de 78,9% para 80,8% do eleitorado apto, o menor percentual de abstenção em um segundo turno desde 2006.

Governadores:

O primeiro turno definiu os governadores de 21 estados, o maior número da série histórica iniciada em 1990. Domingo, o PL encerrou o pleito como a sigla com o maior número de governadores eleitos, seis, seguido pelo PSD, com cinco, e por PT, PP e Republicanos, com quatro cada. Todos os governos do PL foram definidos no primeiro turno, enquanto o PT obteve um de seus quatro governos no segundo.

Congresso Nacional:

Na Câmara, o PL elegeu 121 deputados, a maior bancada de um único partido desde 1990. O PT soma 70 deputados, e sua federação com PV e PCdoB, 88.

No Senado, considerando os eleitos em outubro, os mandatos que seguem até 2031 e as substituições decorrentes da eleição de senadores para governos estaduais, o PL terá a maior bancada, com 28 dos 81 senadores, e o PT deverá ter 10. A bancada do PL parte de 15 senadores na legislatura atual.

Sem um líder natural atuando no Congresso e diante da fuga de Flávio Bolsonaro, é plausível que os partidos do Centrão (PP, União, Republicanos e PSD), além do PSDB e MDB, que já estavam negociando cargos com o PL, sejam atraídos pelo imã do poder do presidente Lula e mude a correlação de forças. A menos que a atuação de Alexandre de Moraes aguce o espírito revanchista no Congresso. A conferir.

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