O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Mercado crava Selic em 13,25% em 2026

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Publicado em 19/10/2026 às 15:45

Alterado em 19/10/2026 às 15:45

As mudanças na política, na geopolítica internacional e os seus reflexos na economia reduzem a eficácia das pesquisas semanais Focus em vários aspectos. O preço do barril do petróleo Brent para entrega em dezembro caiu 1,48% hoje, cotado abaixo de US$ 108 com a possibilidade de uma reunião de cúpula entre os presidentes Trump, Xi Jinping e Vladimir Putin para um armistício na guerra entre Rússia e Ucrânia e abrir caminho à trégua no Oriente Médio.

Os impactos da liberação das sanções americanas à Rússia, em troca da maior oferta de diesel russo no mercado, para evitar a escalada dos preços dos combustíveis antes do inverno no Hemisfério Norte, podem não alterar a tendência do Federal Reserve de elevar os juros nos Estados Unidos, dia 28, mas afetaram as cotações das moedas.

O euro voltou a cair ante o dólar, devido às revoltas política na França e nos principais países europeus, mas a moeda americana sobe ante o iene e o franco suíço. No Brasil, o mercado de câmbio reagiu ao debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Band e às pesquisas que reduziram ainda mais a distância entre Flávio e o atual presidente. O dólar era negociado às 11 hs (horário de Brasília) a R$ 5,0480, com baixa de 0,27% e o Ibovespa operava com alta de 0,75%, próximo dos 207 mil pontos.

Na pesquisa Focus, encerrada sexta-feira e divulgada hoje pelo Banco Central, a mediana do IPCA para 2026 manteve-se em 5,22% (5,19% nas respostas dos últimos cinco dias úteis), enquanto a de 2027 passou de 4,30% para 4,32%. No câmbio, a mediana para 2026 passou de R$ 5,15 para R$ 5,13 e a de 2027 passou de R$ 5,26 para R$ 5,22, ambas pela segunda semana seguida de baixa.

Para o PIB, a mediana de 2026 passou de 1,85% para 1,83%, e recuou de 1,40% para 1,32% em 2027. Já a mediana da Selic manteve-se em 13,25% para dezembro de 2026, indicando baixas de 0,25% em 4 de novembro e em 9 de dezembro, e em 12,00% para 2027, neste último caso pela 18ª semana seguida de estabilidade.

Em conjunto, os dados indicam estabilidade em juros, inflação ainda pressionada e revisão mais negativa para atividade em 2027, como reflexo dos altos juros deste ano.

Endividamento segue estável

Apesar da ênfase nos debates sobre o eventual descontrole dos gastos públicos e seu impacto no endividamento do setor público, a mediana da dívida líquida do setor público para 2026 não mostra muita alteração: passou de 70,00% do PIB para 70,10% do PIB, em alta na semana. Esse é o indicador usado pelo BC (e por mim).

Já a mediana da dívida bruta para 2026 manteve-se em 83,40% do PIB pela quinta semana seguida. No resultado primário de 2026 (receitas menos despesas, sem considerar os juros da dívida, que são o X da questão), a mediana passou de -0,41% do PIB para -0,48% do PIB, em uma piora expressiva na margem.

Entre os horizontes mais longos, a faixa foi mais visível na dívida líquida de 2027, cuja mediana passou de 73,90% do PIB para 74,00% do PIB pela segunda semana. Em contraste, a dívida bruta para 2027 recuou de 87,28% do PIB para 87,26% do PIB pela terceira semana seguida de queda, enquanto o resultado primário de 2027 ficou estável em -0,40% do PIB. O conjunto das revisões mostra ligeira piora na leitura fiscal captada pela dívida líquida e pelo resultado primário em 2026, sem confirmação, porém, na dívida bruta.

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