O OUTRO LADO DA MOEDA
IBGE mostra que juros altos pararam o PIB
Publicado em 15/10/2026 às 14:42
Alterado em 15/10/2026 às 14:42
Após divulgar, na quarta-feira, a estagnação na Pesquisa Mensal de Serviços em agosto (num processo de desaceleração apontado pelo Bradesco desde setembro de 2025), o IBGE divulgou esta quinta-feira, 15 de outubro, queda de 0,1% no volume de vendas do comércio varejista em agosto e queda de 0,2% nas vendas do varejo ampliado.
Os números do IBGE comprovam que a dose dos juros praticada pelo Banco Central e exponenciada pelo sistema financeiro está travando exageradamente a economia e justifica os movimentos de baixa da taxa Selic mesmo com os sinais de alta na inflação dos Estados Unidos que pode antecipar nova alta de juros pelo Federal Reserve em 28 de outubro.
Nesta quinta-feira, embora o Brent para entrega em novembro tenha fixado praticamente estável na faixa de US$ 106 por barril, a alta de 1,3% nos preços ao produtor em setembro nos EUA, elevando para 6,3% a alta anual do PPI, reforçou a expectativa de alta dos juros, mas não impediu a queda do dólar ante o euro, a libra, o iene é o franco suíço. Ante o real, o dólar subia 0,50% às 12:45, cotado a R$ 5,05, refletindo o crescimento da candidatura após a aprovação do fim da escala 6 x 1.
Impacto dos juros nas famílias
Vale lembrar que a queda de 0,1% no comércio varejista frente a julho, na série com ajuste sazonal, ocorre após queda de 0,8% em julho de 2026, segundo o IBGE. Com isso, a média móvel trimestral para o varejo, após recuar 0,1% no trimestre findo em julho de 2026, volta a apresentar queda de 0,1% no trimestre encerrado em agosto de 2026.
A queda de venda no varejo ampliado, mais dependente dos juros do crediário, surpreendeu as expectativas do mercado que esperava alta próxima de 1%. Em julho, o varejo teve alta de 0,5%, interrompendo quatro meses de quedas consecutivas. Sendo assim, o cenário de arrefecimento do consumo no terceiro trimestre se consolida. Na comparação annual, houve alta de 0,1%, com uma média móvel de 3 meses de 2,3% - ante pico de tendência de 2,5% em maio deste ano
Veículos dão ré de 1%
O resultado foi puxado pelas vendas de veículos, que recuaram 1% no mês, devolvendo a alta de 0,3% de julho. A categoria começou o ano com fortes vendas. A desaceleração começou a ficar evidente no terceiro trimestre, com alta de 1,5% em 12 meses, ante 5% nos 12 meses encerrados em julho. As vendas de materiais de construção, que haviam avançado 0,7% em julho, caíram 2% em agosto, e o resultado em 12 meses é de queda de 3,8%.
As vendas de hipermercados, que possuem peso relevante no varejo, recuaram 0,3%. Outro destaque negativo no mês foi a venda de móveis e eletrodomésticos, com queda de 4,2% - idêntico ao resultado do mês anterior. O destaque positivo foi a alta de 6,3% de materiais de informática e comunicação, com alta de 10,2% em 12 meses.
Para o Bradesco, "o desempenho do varejo neste mês reforça nosso cenário de arrefecimento do consumo das famílias no terceiro trimestre e traz viés de baixa para nossas projeções de 0,3% para o consumo e de 0% para o PIB", que deve crescer 1,7% este ano, na projeção do Bradesco.
Visão do Itaú
Na avaliação do Itaú, as maiores surpresas em relação às projeções do banco, foram em "Veículos e autopeças" (1,5% vs. expectativa de 6,1% na comparação interanual) e "Atacado especializado em alimentos" (-1,4% vs. expectativa de 2,7% na mesma comparação).
Dos 10 setores, seis avançaram e quatro contraíram na margem. O destaque positivo no mês foi "Outros artigos de uso pessoal, doméstico" (+1,4% no mês), enquanto o destaque negativo foi "Móveis, eletrodomésticos" (-4,2% no mês). Com o dado de hoje, o Itaú estima carrego estatístico para o terceiro trimestre de -0,5% (índice restrito) e -0,5% (índice ampliado). Isso significa que “o dado divulgado hoje veio abaixo das expectativas, reforçando o processo de desaceleração do consumo das famílias.
“A fraqueza foi disseminada entre as diferentes categorias, com destaque para os segmentos mais sensíveis ao crédito. O resultado reforça “a avaliação de moderação da demanda doméstica e adiciona um viés baixista para a projeção de crescimento do PIB no terceiro trimestre”, diz o Itaú.