O OUTRO LADO DA MOEDA
Inflação sobe com alimentos e cinema
Publicado em 09/10/2026 às 15:27
Alterado em 09/10/2026 às 15:27
O IPCA subiu 0,82% em setembro, acima das expectativas, e a inflação acumulada em 12 meses passou de 4,24% para 4,58%, segundo o IBGE. Parte dessa aceleração era esperada, devido ao efeito do bônus de Itaipu sobre a conta de energia elétrica e à maior pressão dos alimentos, mas serviços e combustíveis também surpreenderam para cima. Isso projeta uma taxa de inflação no ano acima de 5%, furando o teto da meta (3,00%+tolerância de 1,50%=4,50%).
Os preços dos alimentos subiram 0,96%, pouco abaixo do esperado, após queda de 0,61% em agosto. A aceleração, já prevista, (com altas de 37,76% do tomate, de 24,07% da batata inglesa, de 10,14% da cebola,4,54% do arroz e de 0,63% das carnes) decorre da especulação sobre os efeitos do El Niño que pode afetar mais as grandes lavouras. Do ponto de vista estrutural há espaço para a queda dos juros.
Segundo o Bradesco, as pressões devem persistir nos últimos meses do ano, com contribuição adicional do aumento das exportações de carnes. Em 12 meses, a alta passou de 2,8% em agosto para 4,2% em setembro. Os preços dos bens industriais avançaram 0,17% no mês, acima do esperado, devido à alta do etanol, de 3,16%, e pela queda menor que a esperada dos itens de higiene pessoal. O grupo acumula alta de 3,1% em 12 meses.
Governo zera impostos da gasolina e etanol
A alta do etanol deve ter contribuído para o aumento de 1,21% da gasolina, enquanto o resultado de setembro ainda não mostrou o efeito da redução de impostos. Por isso, o governo anunciou nesta sexta-feira, a redução a zero dos impostos federais sobre a gasolina, e o do etanol foi prorrogado, assim com os subsídios ao diesel importado.
Os preços administrados subiram 1,59% no mês e acumulam alta de 4,13% no ano, ante 6,14% em março, maior taxa de 2026. o Os serviços subiram 0,61%, acima do esperado.
A surpresa mensal foi concentrada em cinema, cujos descontos tiveram pico na primeira metade do mês. A variação em 12 meses chegou a 6%. Excluindo passagem aérea, os serviços aceleraram de 5,1% em agosto para 5,4% no acumulado de 12 meses. A média dos núcleos está ao redor de 4,5% em 12 meses. Todos os núcleos aceleraram com relação ao mês anterior nessa métrica. O núcleo por médias aparadas com suavização ficou em 4,5%.
A visão do Bradesco
O Bradesco espera que os alimentos continuem pressionando o IPCA nos próximos meses, enquanto a inflação de serviços deve permanecer próxima dos níveis atuais, já considerando o comportamento dos preços de cinema.
A visão do Itaú
Na abertura do dado de hoje, houve surpresas altistas em gasolina e recreação (cinema e alimentação for a). O item alimentação no domicílio veio abaixo das expectativas. Em relação aos núcleos, serviços subjacentes vieram acima das expectativas puxados por lanches, enquanto industriais subjacentes vieram em linha com as expectativas.
Na média móvel de três meses, com dados dessazonalizados e anualizados, os serviços subjacentes aceleraram para 6,0% (de 5,0%), enquanto o núcleo de industriais subjacentes desacelerou para 1,9% (de 2,4%). Na mesma métrica, a média dos núcleos acelerou para 4,7% (de 4,1%).
Para o Itaú, o IPCA de setembro veio um pouco acima do esperado, com qualitativo mais pressionado por serviços subjacentes. No "headline", a surpresa baixista em alimentação no domicílio foi compensada pela gasolina mais pressionada, sem mostrar repasse da redução do PIS/Cofins.
Já no núcleo, destaque para serviços subjacentes mais pressionados com uma deflação menor em cinema e alimentação for a do domicílio mais forte, em linha com o nosso cenário de piora qualitativa no fim desse ano. A divulgação "traz ligeiro viés altista para a nossa projeção no final do ano", que era de 5,1% para IPCA de 2026.
Juros nos EUA a 6%?
As projeções do gigantesco fundo de investimento global Pimco, de que os juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos podem passar da faixa de 6% agitaram os mercados de moedas emergentes. A rúpia da Índia sofreu fortes especulações mesmo depois da alta do piso de juros do país pelo Banco Central. Euro e iene sofrem baixas entre as moedas fortes. O dólar sobe 1,15% frente ao peso mexicano e 0,25% frente a lira turca.
Mas, à véspera do feriado de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, dia 12, segunda-feira, o real valorizava 0,70%, com o dólar cotado a R$ 4,9849 às 12:42 (horário de Brasília). O Ibovespa sobe 1,41%, roçando abaixo de 210 mil pontos. Os preços do petróleo para entrega em dezembro sobem ligeiramente para US$ 104,78.