O OUTRO LADO DA MOEDA
Como ganhar na B3 sem perder no câmbio
Publicado em 07/10/2026 às 14:12
Alterado em 07/10/2026 às 14:12
As oscilações do câmbio e das ações na B3 são um terreno incerto para amadores. Como já dissemos, foi a enxurrada de dólares vindos de paraísos fiscais, sobretudo com CPF de brasileiros, que levou o dólar a cair mais de 5% desde a semana passada. Para o dólar voltar ao paraíso fiscal sem perdas, é preciso que as ações sustentem alta bem superior na B3.
Hoje o dólar está sendo negociado, por volta de meio-dia, com alta forte ante as principais moedas. O motivo é ruim para o presidente Trump. Às vésperas da eleição para renovação da Câmara e do Senado, em 3 de novembro, os juros dos títulos do Tesouro americano de 30 anos subiram ao nível recorde de 5,73% ao ano. Isso arrasta alta de juros no mundo.
Em meio à falta de definição da guerra do Golfo Pérsico, o petróleo tipo Brent para entrega em dezembro subiu 1% para US$ 101,64. A probabilidade de um novo aumento dos juros nos Estados Unidos ainda este ano (estão em 3,75%-4,00%) deixa a manobra de quem trouxe recursos para um "tour" no rally entre o primeiro e o segundo turno com riscos.
É preciso que a valorização do real, que estava sendo negociado a R$ 4,9977 às 12:30 (horário de Brasília), não desapareça subitamente. A cotação traduzia alta de 0,35% da moeda americana. O Ibovespa, o indicador da B3, apresentava no mesmo horário, queda de 0,49% a 204.820 pontos.
A vantagem é que há ações de alto peso no Ibovespa, e de boa liquidez na B3, como as de bancos, apresente ganho bem acima das ações ligadas à exportação, cujo desempenho foi prejudicado pela súbita valorização especulativa a favor do real.
Ou seja, se uma pessoa trouxe US$ 1 milhão no dia 5 à cotação de R 5,0022, precisa ganhar na bolsa o suficiente para que o resgate do montante acumule lucro superior a 7/8% no mínimo. Do contrário, seria uma operação arriscada. O cenário de alta nos juros futuros no mundo provocou desvalorização do valor da carteira com papéis antigos (com juros de face menores).
O mercado ficou mais arriscado. E com muita especulação em torno de papéis que estavam largados na bacia das almas (Casas Bahia, Magazine Luiza, Gafisa, Cogna). Na hora de uma mudança geral da biruta, pode haver problemas de liquidez na saída. As empresas que exportam estão perdendo devido ao câmbio valorizado para o real.

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