O OUTRO LADO DA MOEDA
Paraísos fiscais baixam dólar e sobem a B3
Publicado em 06/10/2026 às 13:40
Alterado em 06/10/2026 às 13:40
"Lucro numa deu prejuízo a ninguém". Essa máxima, dos tempos que em os pregões das Bolsas de Valores tinham operadores físicos, continua válida nos tempos de transações eletrônicas, em que cada corretora ou distribuidora de valores ou até os terminais dos que operam em casa. Por isso, depois do "rally de alta do primeiro turno" a segunda-feira à tarde foi tempo de realização de lucros e o ambiente segue a mesma toada nesta terça-feira.
Depois de exalar pessimismo em 28 de setembro, quando o Ibovespa fechou a 182.991 pontos, em reação a pesquisas que apontavam Lula à frente no primeiro turno e com alguma chance de vitória já em 4 de outubro, o dólar fechou no mesmo dia a R$ 5,2255. Entretanto, as indicações dos "tracks" das instituições financeiras apontando o avanço de Flávio Bolsonaro animaram os operadores e investidores.
Sexta-feira, 2 de outubro, o Ibovespa fechou a 192.115 pontos (uma valorização de 4,98% na semana). Já o dólar, ao fechar sexta-feira, a R$ 5,2133, encerrou a semana em baixa de 2,33%, prenunciando o otimismo do mercado, que prefere Flávio a Lula.
De onde veio a enxurrada de dólares?
Anunciada a vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno no domingo à noite, o que explica que o dólar já tenha aberto a manhã de segunda-feira em baixa de 4,546%, cotado a R$ 4,9763? Os chamados "investidores estrangeiros" não têm suficiente agilidade para perceber a mudança da biruta.
Na verdade, quando se examinam os fluxos dos investimentos estrangeiros diretos no país (IDP) do Banco Central, os Estados Unidos continuam com o maior estoque de investimentos, mas o fluxo dos capitais voláteis que fazem uso dos paraísos fiscais "off-shores" predomina. E o CPF dos investidores é predominantemente de brasileiros.
Só isso explica por que desde 28 de setembro, a taxa do dólar (negociado a R$ 4,9711, às 12:25 desta terça-feira, com baixa de 0,44%) tenha acumulado baixa de 4,86% no período. Os bancos estrangeiros só emitiram pareceres favoráveis ao Brasil no fim do dia 5 de outubro (fizeram suas posições, mas sem tempo de mudança dos investidores).
Já a gangorra, ou melhor, montanha-russa do Ibovespa foi mais elástica. Entre a maior e a menor cotação do índice Bovespa (que roçou abaixo dos 210 mil pontos ontem e hoje), houve ganhos de 14,545%.
Dados históricos - Ibovespa

O peso dos paraísos fiscais
Para os que duvidam do entra e sai de recursos de brasileiros sediados em paraísos fiscais, apresento os dados do Censo de Capitais Estrangeiros do Banco Central até 2025. O ano passado fechou com IDP no capital (o item mais volátil das transações do Balanço de Pagamentos) de US$ 488,116 bilhões.
Apenas seis países respondiam por 82,3% do montante registrado e os Países Baixos (vale dizer, incluídos os paraísos fiscais caribenhos como Aruba, Curaçau e Bonaire que integram a Holanda) lideram a lista com US$ 99,331 bilhões (20,3%), seguido pelas Ilhas Virgens Britânicas (US$ 96,873 bilhões ou 19,8%), que é o paraíso mais próximo de Miami. Os EUA são o sexto maior investidor em capital (US$ 24,276 bilhões, com apenas 5%).
