O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Dólar se fortalece com altas de juro nos EUA

Publicado em 23/09/2026 às 15:46

Os rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos dispararam esta quarta-feira, 23 de setembro, passando dos 5% ao ano, após dados robustos da economia americana alimentarem apostas em novos aumentos de juros pelo Fed. Com a nova alta de 3,40% no petróleo, o resultado foi uma forte valorização do dólar contra as principais moedas.

O contrato do petróleo tipo Brent para entrega em novembro foi negociado na manhã acima de US$ 102,50, com alta de 3,40%. As apostas de nova alta de 0,25% no piso dos juros do Federal Reserve Bank, em novembro, provocaram forte valorização do dólar nos mercados globais e queda das bolsas.

O euro registrava queda de 0,48% ante o dólar, com queda de 0,70% da libra esterlina. O dólar subia 0,60% contra o iene, 0,50% contra o franco suíço e 0,23% contra o dólar canadense. O yuane chinês tinha queda de 0,18% e o impacto era ainda maior sobre as moedas dos países emergentes.

O dólar subia 1,25% contra o peso mexicano, 1,20% frente ao dólar australiano e 0,81% frente ao real, com o dólar negociado a R$ 5,14,34 às 13:25 (horário de Brasília). Essa força do dólar, em meio à agitação política às vésperas de uma eleição tecnicamente empatada, pode jogar por terra a expectativa de novas quedas da Selic no fim do ano (o Bradesco apostava em duas quedas para 13,25%. O mercado achava mais plausível 13,50%.

Seria trágico se não fosse sério

Este colunista recebe diariamente, no e-mail, mais de uma centena de mensagens com "releases". A maioria é de pautas. Na triagem, descarto a maior parte. Algumas trazem boas informações. Mas vejam o absurdo do "release" que tenta emplacar estudo da Zeom (uma "fintech" que criou, em 2018, um índice para medir a inflação das famílias de altíssima renda) – até 100 salários-mínimos: R$ 162.100.

Todas as pessoas com noções mínimas de economia sabem que os índices de inflação são o termômetro relativo referente aos hábitos da maioria. Desde 1979, quando os salários começaram a ter reajustes semestrais, na hiperinflação que caiu no colo do ministro do Planejamento, Delfim Neto, o IBGE passou a calcular a inflação e criou dois índices: o INPC e o IPCA.

O INPC, usado para fixar o índice de recomposição do poder de compra do salário-mínimo e das aposentadorias, mede a cesta de despesas das famílias com renda até cinco SM (R$ 8.105). Isso não quer dizer que a estrutura de gastos das famílias seja equânime. Se a família tem casa própria, por exemplo, os gastos com habitação são menores que os do vizinho que paga aluguel.

O IPCA, que mede as despesas das famílias com renda até 40 SM (R$ 64.840), passou a ser o índice oficial de inflação, mas igualmente não reproduz exatamente o mesmo perfil de gastos de duas famílias que tenham renda de R$ 30 mil, ou no teto de R$ 64.840.

Pois a Zeom resolveu medir as despesas de quem ganha acima do IPCA e chegou à conclusão de que, enquanto em agosto o IPCA teve deflação de 0,32% e a taxa de 12 meses desacelerou para 4,22%, a "inflação para a alta renda brasileira acelera a 8,53%" no mês passado.

Confesso que fiquei muito preocupado com a perda do poder de compra dos rentistas e milionários brasileiros com a disparada dos automóveis, do filé mignon e com a baixa da Selic. Francamente!

Que tal um Bolsa Juro?
Este é o mesmo argumento (no reverso do espelho) de quem critica o impacto no aumento dos gastos da atualização monetária do Bolsa Família em R$ 91 mensais. A queda de 0,25% na Selic na semana passada vai reduzir em R$ 17,5 bilhões os ganhos dos rentistas nos próximos 12 meses. A Selic já caiu 1,25% este ano, o que implica economia de R$ 90 bilhões em 12 meses.

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