O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Após Ata, Bradesco vê Selic em 13,25% em 2026

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Publicado em 22/09/2026 às 20:35

Alterado em 22/09/2026 às 20:35

Ao analisar a Ata do Copom, publicada hoje pelo Banco Central, enquanto o Itaú prefere aguardar a publicação do Relatório de Política Monetária, na quinta-feira, 24, para emitir seu prognóstico, o Bradesco foi peremptório: o cenário previsto, com estabilidade de atividade, preços e câmbio, é de que "o Copom encerrará o ano com mais dois cortes, levando um Selic a 13,25%".

O departamento de Pesquisas Macroeconômicas do Itaú é dirigido pelo economista Diogo Guillen, diretor de Política Econômica do Banco Central até 31 de dezembro de 2025. Já o diretor de Política Monetária do Banco Central, desde janeiro de 2025, é Nilton Davi, ex-tesoureiro do Bradesco.

O Bradesco deu o título no comentário diário: "Ata reafirma evidências de transmissão da política monetária" e disse, como o Itaú, que "a ata da última reunião do Copom, trouxe poucos elementos novos. As adições foram pontuais e razoavelmente favoráveis à continuidade do ciclo de flexibilização, mantendo as linhas gerais do comunicado, ou seja, confirmando um colegiado bastante dependente dos dados".

BC refém da desancoragem

Considero que os itens 10 e 11 do comunicado refletem bem os descompassos entre a realidade e as expectativas "inflacionistas" do mercado financeiro (ou "desancoragem"), que ora usa o choque nos preços do petróleo devido à guerra no golfo Pérsico (que não se concretizou no mercado doméstico, devido aos subsídios do governo aos combustíveis, para evitar a escalada da Selic, que já estava em 15%) e agora usa a expectativa de danos futuros do El Niño para especular sobre preços do fim de 2026 para 2027.

O descompasso no exagero das expectativas tem obrigado o Banco Central a adotar (desde 2022), juros bem maiores do que os necessários e os recomendáveis, e o mercado financeiro, que usufruiu dos juros altos, e faz o Copom refém do processo de realimentação da "desancoragem".

Voltando ao Bradesco, o banco destaca que "o parágrafo sobre a condução do ciclo foi mantido na íntegra: a magnitude da calibração seguirá ajustada à luz da evolução do cenário. o Os indicadores "mostram" — e não mais "sugerem" — a moderação gradual da atividade, concentrada nos setores mais cíclicos, os mais sensíveis à política monetária, ainda que em patamar resiliente".

"A ata reconheceu a desaceleração da inflação, inclusive dos núcleos, mas destacou pressões altistas no atacado. Embora o Comitê não o tenha dito, as altas no atacado refletem a alta do petróleo e commodities. Na ata, o Comitê reiterou que não reage aos efeitos primários de choques de oferta, apenas a eventuais efeitos de segunda ordem".

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