O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Bessent repete Lula: crescimento resolve crise da dívida

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Publicado em 14/09/2026 às 13:31

Alterado em 14/09/2026 às 13:31

Os juros dos títulos de 10 anos do Tesouro americano atingiram hoje, pela primeira vez desde 2023, a faixa dos 5% ao ano. porque ataques no Oriente Médio afetam o escoamento de petróleo da Arábia Saudita pelo Mar Vermelho, elevando o Brent a US$ 108,35, ou +3,58% (às 12:00 horário de Brasília), reforçando o temor de inflação e as apostas de alta de 0,25% nos juros do Fed na quarta-feira.

Seria o primeiro aumento de juros em três anos, o que contraria o presidente Trump, que trocou Jerome Powell por Kevin Warsh à frente do Federal Reserve Bank para baixar os juros nos Estados Unidos. O movimento do Fed deve ser seguido pelo Banco do Japão e demais bancos centrais. No efeito imediato, o dólar subiu ante as principais moedas. No Brasil, avançou 0,76%, cotado a R$ 5,1579 às 12:20.

Mercado já crê em duas quedas de Selic

A Pesquisa Focus, colhida pelo Banco Central até sexta-feira, 11 de setembro e divulgada hoje, não só manteve a queda de 0,25% na taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central no mesmo dia 16, para 13,75% ao ano, como apontou, a crença, de nova baixa da Selic em 4 de novembro ou 9 de dezembro, pois a mediana das respostas dos últimos cinco dias úteis sobre o fechamento da Selic em 2026 caiu para 13,56%.

A deflação de 0,32% no IPCA de agosto, divulgado sexta-feira, reforçou no mercado a ideia de que o rigor da política monetária está contendo a inflação e o crescimento econômico. A projeção do IPCA de 2026 caiu de 5,00% para 4,90%. Mas, o PIB também caiu de 1,93% para 1,89% (1,86% na mediana dos últimos cinco dias úteis). Há um mês esperava-se 1,98%. Porém, como os juros bancários são em módulos bem maiores do que os da Selic, o endividamento das famílias e empresas piora à véspera da eleição.

As projeções do IPCA recuaram ligeiramente em setembro (de 0,53% para 0,50%), ficaram estáveis em 0,33% em outubro, mas subiram em dezembro de 0,32% para 0,34%.

WSJ mostra Bessent falando como Lula

Os economistas keneysianos (discípulos do grande economista inglês John Maynar Keynes) sempre argumentam, contra a teoria monetarista ortodoxa de Hayek ou de Milton Friedman, que a melhor saída para o aperto do endividamento sobre as famílias e empresas não é apenas cortando custos, mas aumentando as receitas e a eficiência do gasto. O mesmo se aplica a governos.

O presidente Lula que tinha entre seus conselheiros econômicos dois expoentes da defesa do crescimento, como Luiz Gonzaga Belluzzo e o falecido ex-ministro Delfim Neto, continua apostando que o crescimento é o melhor remédio para ajustar a capacidade de pagamento de uma família, uma empresa ou um país. É racional.

Dívidas não se pagam de imediato, são roladas. Se as receitas melhoram, o credor fica mais confiante. E se os juros reais caírem (o que depende, sobretudo, de fatores externos, como guerra e agora a especulação sobre o possível impacto do El Niño), melhor ainda.

Mas os economistas do mercado financeiro, que são sobretudo gestores de investimento, insistem em cortes de gastos como a única saída. Jamais ousam falar em corte dos juros reais, que são a garantia de que agindo bem ou mal, os ganhos reais são praticamente certos. Mas, vejam a manchete de ontem do "Wall Street Journal", sobre uma fala do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent:

"Bessent afirma que os EUA podem superar a crise da dívida por meio do crescimento econômico. O que seria necessário? O "journal" acrescenta: "O secretário do Tesouro argumenta que uma forte expansão econômica é o antídoto para sair do profundo buraco da dívida".

Quando Lula ou algum economista do governo fala isso é heresia. Bessent está errado ou é a manifestação do óbvio? Se os juros altos travam o PIB, é claro que a relação dívida/PIB tende a piorar. E cortar despesas sociais que giram em torno de R$ 300 bilhões pouco resolvem para atenuar os gastos anuais de R$ 1.150 trilhão com juros. Entretanto, um corte de dois a três pontos nos juros economiza de R$ 135 bilhões a R$ 207 bilhões por ano. O alívio nos juros faz a roda da economia girar mais e as receitas crescem. É isso que Keynes e Lula diziam e Bessent, sensatamente observa.

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