O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

[email protected]

O OUTRO LADO DA MOEDA

PIB cresce 0,5% puxado por agro e óleo

...

Publicado em 01/09/2026 às 16:57

Alterado em 01/09/2026 às 17:07

A forte demanda de exportação de petróleo, devido à guerra no Golfo Pérsico, e as boas safras de soja (+5,3% sobre 2025) e do café (+15,1%) puxaram o crescimento de 0,5% no Produto Interno Bruto no segundo trimestre, com queda frente à taxa de 1,1% no primeiro trimestre. A Agropecuária avançou 2,8%, o setor de Serviços variou +0,2% e a Indústria cresceu 0,1%, graças à alta de 3,4% na atividade extrativa mineral, concentrada em petróleo e gás.

No primeiro semestre, o PIB avançou 1,9% sobre igual período de 2025, com alta de 3,6% na Agropecuária. Os Serviços avançaram 1,8% (destaque na expansão de 8% em Informação e comunicação, motivada por investimentos em IA). O IBGE explica que "o crescimento na importação de bens de capital e no desenvolvimento de "software", em conjunto com avanço na construção, suplantaram a queda na produção interna de bens de capital".

Já a Indústria cresceu 1,6%, tracionada pelo aumento de 12,5% na atividade Extrativa Mineral, turbinada pelo petróleo e gás. Afetada pelo tarifaço dos Estados Unidos (que freou as exportações para lá desde agosto de 2025), a Indústria de Transformação encolheu 0,9% no semestre.

Gastos de governo crescem em ano eleitoral

A característica do ano eleitoral turbinou os investimentos federais e dos governos estaduais em obras em boa parte dos municípios brasileiros no primeiro semestre. De acordo com os dados do IBGE, os gastos de Consumo do Governo cresceram 2,9% de janeiro a junho, superando os gastos de Consumo das Famílias (+1,1%).

Os dados ficam mais nítidos no confronto do segundo trimestre deste ano, contra o de 2025: os gastos dos governos cresceram 3,1%, o consumo das famílias variou +0,5% e a Formação Bruta de Capital Fixo, +1,4%. A FBKF indica os investimentos máquinas e equipamentos e em obras de expansão do parque industrial, na infraestrutura, na agricultura e no comércio).

As exportações cresceram 3,8% no segundo trimestre sobre abril-junho de 2025, puxadas pelas vendas de petróleo, gás e minérios, pelos produtos agropecuários (soja e café) e alimentícios (beneficiados, sobretudo carnes e derivados). Na mesma base de comparação, as importações cresceram 5,5%, liderados por automóveis, artigos de vestuário e material elétrico (à frente baterias). O desempenho da FBKF foi zero nos primeiros seis meses deste ano.

Os juros travam a economia

Tanto o consumo das famílias, que cresceu só 0,5% no segundo trimestre sobre o mesmo período de 2025, quanto os investimentos foram afetados pelos altos níveis reais (descontada a inflação) dos juros. Graças ao aumento do salário-mínimo e à isenção do Imposto de Renda na fonte para quem ganha até cinco salários-mínimos (R$ 8.105), o IBGE apontou crescimento de 4,7% da massa salarial real.

Entretanto, o aumento de 11,1% no saldo dos créditos do Sistema Financeiro Nacional às pessoas físicas (confrontado com o aumento de apenas 0,5% no consumo das famílias no segundo trimestre deste ano sobre igual período de 2025) indica que o Desenrola pode ter aliviado os pesadelos das famílias com as dívidas, mas não recompôs a capacidade de consumo.

A visão do Itaú

"Apesar do PIB do segundo trimestre ter vindo em linha com a nossa expectativa, a composição do resultado indicou uma atividade mais fraca. O desempenho aquém do esperado em serviços e indústria foi compensado por um PIB agropecuário mais forte. Pelo lado da demanda, o resultado foi misto: o destaque negativo ficou com o consumo das famílias, que recuou na margem, enquanto os investimentos apresentaram crescimento mais robusto. À frente, esperamos que a economia continue desacelerando, de forma moderada, com crescimento de 0,2% no terceiro trimestre, equivalente a 1,9% sobre igual período de 2025". O Itaú prevê PIB de 1,9% em 2026.

A visão do Bradesco

“Crescimento dos setores cíclicos do PIB foi de 0,1%”. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, pouco acima da nossa projeção e do consenso de mercado (ambos em 0,4%), desacelerando em relação à alta de 1,1% nos três primeiros meses do ano. Em relação ao mesmo período de 2025, a economia avançou 2,0%. O carrego estatístico para o ano está em 1,8%. Os setores não cíclicos da economia contribuíram para o resultado positivo do PIB no segundo trimestre, enquanto os setores cíclicos cresceram menos do que projetávamos”. Para o Bradesco, “a economia enfraqueceu no segundo trimestre. A sinalização dada pelos setores cíclicos e pela demanda doméstica é de que o PIB deve apresentar taxas de crescimento mais moderadas à frente. Projetamos que, no terceiro trimestre, a economia fique próxima da estabilidade”.


Deixe seu comentário