O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Seis meses de guerra e inflação no mundo

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Publicado em 28/08/2026 às 15:28

Alterado em 28/08/2026 às 15:28

Com mudanças nos preços do petróleo e nas alianças regionais, a guerra dos Estados Unidos-Israel contra o Irã completa seis meses nesta sexta-feira. Além da inflação, o conflito frustrou expectativas e gerou novos pontos de influência sobre a economia global. O “Wall Street Journal” assinala que o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz depois da média de 130 embarcações por dia, em janeiro-fevereiro, caiu a média diária de 15 em agosto.

O preço do barril de petróleo, que estava hoje em US$ 88 (-0,59%) subiu 21,30% desde os ataques de 28 de fevereiro a Teerã, mas a máxima de US$ 119,50, em março, não superou o recorde de US$ 147 em julho de 2008, antes de a crise financeira mundial causada pelo “crash” no mercado de subprime, derrubar o petróleo à faixa de US$ 30 e deixar o mundo em recessão por vários anos.

Analistas apontam que o ataque ao Irã, precedido pela invasão e captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em 2 de janeiro, faz parte da “Doutrina Donroe”, que considera o hemisfério ocidental sua área de influência. De posse das maiores reservas de petróleo do mundo, com a guerra do Golfo Pérsico, Trump produziu forte aumento de custos a seus concorrentes da Ásia e Europa, aos quais queria combater com tarifas.

Para quem não faz ligação de um evento ao outro, vale lembrar que a Venezuela e o Irã eram dois dos maiores fornecedores de petróleo e gás à China e à Índia, que tiveram de buscar suprimento na Rússia e no Brasil, face à dificuldade de escoamento do petróleo do Oriente Médio.

E o “WSJ” revela hoje que a “Chevron e outras empresas americanas estão perto de fechar acordo para investir bilhões em campos de petróleo venezuelanos”. Segundo o jornal, a Chevron, única das grandes “majors” americanas que operava na Venezuela, em parceria com a estatal PDVSA, “está “perto de fechar um acordo para adicionar dois campos de petróleo pesado ao seu portfólio no país”.

A Halliburton também está em negociações, diz o “Journal”. No começo do mês a Hunt Oil fechou contrato. As gigantes ExxonMobil e ConocoPhillips, expropriadas no governo Hugo Chaves, ainda estão fora das negociações. Na época, a Venezuela produzia quase 4 milhões de barris/dia. Com perda de investimentos, hoje produz 1,1 milhão/dia e inverteu a posição com o Brasil.

 

Os preços (em US$) após 6 meses de guerra

Item                   28.08.                 Variação

Petróleo Brent      88,00                  21,30%

Ouro                   4.566                 -12,94%

Café                  313,64                  11,65%

Soja                1.285,50                   9,80%

Boi Gordo           219,30                -10,24%

Minério de ferro    95,84                  -3,25%

 

Como se vê, a inflação só aumentou, mesmo com a medidas pontuais do governo Trump para isentar de tarifas, dentro de determinadas cotas temporárias, as importações de carne bovina dianteira (usada em hamburguers) e o café.

No Brasil, o governo conseguiu segurar a inflação em 12 meses, que estava em 4,44% em janeiro e fevereiro, para 4,24% em julho. O IPCA-15, prévia do IPCA de agosto, foi de -0,40% e o índice de Preços ao Produtor do IBGE caiu 0,83% em julho, após deflação de 0,81% em junho.

Warsh: Fed ainda tem serviço a fazer

Em discurso no seminário do Federal Reserve de Kansas, em Jackson Hole, no Wyoming, o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, defensor de juros baixos, mostrou preocupação com a alta dos preços e afirmou que “que o Fed pode não ter terminado de combater a inflação”.

Em reação, os rendimentos dos títulos do Tesouro de curto prazo subiram, após os comentários serem interpretados pelos operadores do mercado como um sinal de que as taxas de juros poderiam aumentar.

Itaú prevê PIB de 0,5% no 2º tri

O IBGE divulga terça-feira, 1º de setembro, as Contas Nacionais do segundo trimestre, que medem a variação do Produto Interno Bruto. O Itaú estima expansão de 0,5%, com ajuste sazonal. Na comparação anual, espera alta de 2,0%.

Pela ótica da oferta, o principal destaque deve vir da indústria, com crescimento de 2,5% a/a, acelerando em relação à alta de 1,6% a/a do trimestre anterior. Para o setor de serviços, espera expansão de 1,9% a/a, contra 2,1% no primeiro. Já a agropecuária deve avançar 2,3%, após alta de 0,7% no primeiro trimestre.

Pelo lado da demanda, o Itaú espera desaceleração de 1,7% para 1,4% no consumo das famílias enquanto os investimentos ficaram praticamente estáveis na comparação anual (-0,1% a/a ante -1,4% a/a no trimestre anterior).

 

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