O OUTRO LADO DA MOEDA
Casas Bahia pede RJ de R$ 17,3 bilhões
Publicado em 17/08/2026 às 16:42
Alterado em 17/08/2026 às 16:43
Após fechar 298 lojas e demitir 1,9 mil empregados na sexta-feira e divulgar ontem balanço com prejuízo de R$ 11,181 bilhões no primeiro semestre, o Grupo Casas Bahia anunciou hoje pedido de recuperação judicial, dando início a uma nova etapa de reorganização de suas obrigações financeiras e estrutura operacional. De tamanho menor, vítima dos juros altos, a rede Marabraz também pediu RJ.
A medida judicial impacta pagamentos de quase R$ 17,3 bilhões a bancos, fundos de investimentos, seguradoras, fornecedores, além de aluguéis e dívidas trabalhistas. IBMesmo com a demissão de 3 mil funcionários, em agosto, a Casas Bahia segue operando lojas físicas e canais digitais.
“Nos últimos anos, fizemos um trabalho importante de transformação da companhia. Reduzimos o endividamento financeiro, melhoramos nossa estrutura de capital, avançamos em eficiência e fortalecemos a geração de caixa. Mas precisamos reconhecer que essa evolução (...) não foi suficiente diante de um cenário de crédito mais restritivo, juros elevados e consumo pressionado. A realidade mudou e, junto ao nosso Conselho de Administração, tomamos decisões para adequar a Companhia a essa nova realidade”, afirma Renato Franklin, CEO do Grupo Casas Bahia.
A companhia diminuiu sua dívida líquida e a alavancagem financeira e acumulou nove trimestres consecutivos de evolução da margem EBITDA ajustada. No segundo trimestre de 2026, a alavancagem financeira caiu para 0,5 vez o EBITDA ajustado, contra 2,2 vezes um ano antes, enquanto o fluxo de caixa livre somou R$ 800 milhões no trimestre, ante R$ 173 milhões no mesmo período de 2025.
Segundo o executivo, “A recuperação judicial faz parte de uma reorganização do passivo da empresa de forma mais ampla, que precisa dar à companhia condições de ajustar suas obrigações e, ao mesmo tempo, continuar executando as medidas operacionais da Fase 2 do Plano de Transformação que já estão em andamento”, afirma o CEO.
A companhia passa a priorizar caixa e rentabilidade sobre volume, redimensionando sua operação para uma escala compatível com sua capacidade de geração de retorno. Está prevista uma revisão dos canais digitais, a adequação de estoques e capital de giro, além de menores investimentos e a busca por alternativas de diminuição do custo financeiro.
“A estratégia daqui em diante é operar uma Companhia menor, mais seletiva e concentrada nas atividades capazes de gerar retorno e caixa. Isso significa preservar as operações com maior capacidade econômica, adequar custos e investimentos ao novo nível de atividade, melhorar o giro de estoques e reduzir a necessidade de capital empregado”, conclui Franklin.
IBC-Br tem queda de 0,6% em junho
Prévia do Produto Interno Bruto (calculado pelo IBGE), o IBC-Br, indicador antecedente do Banco Central, apresentou queda de 0,6% em junho, puxado pela retração de 1,4% na Indústria. O setor de serviços encolheu 0,5%, e a agropecuária teve avanço de 1,0% em junho.
Na média trimestral, o IBC-Br cresceu 0,2%, com avanço de 0,5% na Indústria, puxado pelo bom desempenho da indústria extrativa mineral, pelos ganhos em petróleo. O segmento de Serviços encolheu 0,1% no trimestre, com retração no comércio, e a Agropecuária cresceu 0,3%. O IBGE divulga o resultado das Contas Nacionais, com a variação do PIB do segundo trimestre, em 1º de setembro.
Focus mostra inflação e Selic estáveis
O Banco Central também divulgou nesta segunda-feira a pesquisa semanal Focus, com 149 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa mantendo a projeção do IPCA estável para este ano, em 5,02% (a mediana dos últimos cinco dias úteis elevou a taxa para 5,04%). Para 2027, o IPCA variou de 4,22% para 4,24%, mas caiu para 4,21%, na mediana dos últimos cinco dias úteis.
O mercado manteve estável a aposta da Selic em 13,75% em dezembro deste ano e em 12,00% em dezembro de 2027, mas a mediana dos últimos cinco dias apontou alta para 12,25%. Um dos motivos para tal é a projeção do dólar, que ficou estável em R$ 5,20 em 2026, mas sobe de R$ 5,28 para R$ 5,29 em dezembro de 2027 e chegou a R$ 5,30 na mediana dos últimos cinco dias úteis.
Inflação e Selic a curto prazo
O mercado manteve a aposta de deflação de 0,17% no IPCA de agosto, mas elevou de 0,50% para 0,52% a previsão do IPCA de setembro. Ainda assim, cravou a última queda (por enquanto) da Selic em 16 de setembro, para 13,75%, nível terminal do ano. Para outubro, o mercado reduziu o IPCA de 0,34% para 0,33% e a 0,32% na mediana de cinco dias.