O OUTRO LADO DA MOEDA
Lucro do BB cai 34% com inadimplência recorde
Publicado em 13/08/2026 às 18:45
Alterado em 13/08/2026 às 18:45
O cartão de crédito teve salto 6,53% de atraso acima de 90 dias em junho de 2025, para 14,82% Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Com o agronegócio liderando a carteira de crédito do Banco do Brasil em junho, (R$ 421,6 bilhões, ou 36,76% do total dos créditos, contra R$ 367,8 bilhões, ou 32,06%, a pessoas jurídicas, e R$ 357,6 bilhões, ou 31,18% a pessoas físicas), e a inadimplência batendo recordes nos créditos do agronegócio (66,3% contraídos por grandes e médios produtores) e nas pessoas físicas, o lucro líquido ajustado do BB caiu 34,2% no primeiro semestre, a R$ 7,339 bilhões.
No segundo trimestre, o lucro líquido ajustado do Banco do Brasil ficou em R$ 3,908 bilhões, com pequeno avanço de 3,3% sobre o primeiro. No resultado deste ano, o Banco do Brasil foi superado pelo BNDES consolidado (R$ 7,353 bilhões no trimestre e de R$ 10,977 bilhões no semestre), pelo BTG-Pactual: R$ 5,1 bilhões no 2º trimestre e R$ 9,472 bilhões no lucro contábil semestral e até pelo Santander.

Mesmo com Desenrola
O Banco do Brasil concentra carteira de pessoas físicas de alto poder aquisitivo (funcionários públicos com estabilidade do emprego, incluindo políticos e prefeitos). Apesar do Desenrola aplicado em todos os segmentos, o banco espera perdas de R$ 103,687 bilhões, o que corresponderia a 8,3% da carteira de crédito expandida (R$ 1.245,872 bilhões).
A carteira de PF fechou o semestre com índice de atraso, acima de 90 dias, de 8,41% (em dezembro estava em 6,56%, e era de 5,59% em junho de 2025, e perdas estimadas em R$ 30,1 bilhões. Os atrasos acima de 30 dias subiram de 7,76% de julho de 2025 para 11,42%. O cartão de crédito teve salto 6,53% de atraso acima de 90 dias em junho de 2025, para 14,82%. Os financiamentos a veículos recuaram de 3,59% para 3,11%, e nos financiamentos imobiliários, caíram de 2,94% para 2,75%, mas no crédito consignado houve aumento de 1,74% para 2,74%.
Nos créditos a pessoas jurídicas houve recomposição de R$ 68,871 bilhões (3,7% das dívidas, sendo 1,7% com grandes empresas e 2,0% com micros e pequenas empresas. Nas PMEs, “a inadimplência das operações vencidas há mais de 90 dias foi de 9,73%; apartando a composição de dívidas da carteira, a taxa seria de 7,36%”, diz o BB. A maior inadimplência é no capital de giro.
Terra arrasada no crédito rural
A situação do crédito rural, incluindo as etapas de comercialização e industrialização do agronegócio, é preocupante. O BB enfeixava R$ 421,530 bilhões em créditos (o pequeno produtor recebia 19,7% dos créditos). O Bradesco, segundo banco mais ativo no agronegócio, tinha créditos de R$ 99,7 bilhões a pessoas físicas e empresas.
Na divisão dos recursos, 22,6% foram destinados ao custeio das atividades; 18,6% a investimentos em máquinas, equipamentos (12,0% e 4,2% para silos e armazenagem e construções) e a agricultura familiar recebeu 16,5%. A bovinocultura levou 20,1% dos recursos, sendo 15% para a produção de carne e 5,1% para o leite, a lavoura da soja levou 9%, o milho, 3,7% e o café, 2,6%. O Centro-Oeste abocanhou 33,5%, o Sudeste, 24,5%, o Sul, 22,85, e o Nordeste, 9,9% dos recursos do BB em junho de 2026.
No guichê de pagamentos, diante das restrições à rolagem pela Resolução 4.966 do Banco Central, em um ano, as operações com mais de 90 dias em atraso aumentaram consideravelmente de junho de 2025 para junho de 2026.
Os atrasos em custeio (o grosso das operações do BB) saltaram de 3,78% para 10,185, com ligeiro recuo ante os 10,56% de março. A segunda com mais atraso envolve os repasses bancários do BNDES/Finame para máquinas e equipamentos: pularam de 2,07% para 5,99% em 12 meses.
No Pronamp, (créditos a médios e grandes proprietários), os índices de atraso com mais de 90 dias aumentaram de 1,38% em junho de 2025 para 4,10% em março deste ano, e tiveram ligeiro recuo para 3,99% em junho de 2026, com o Desenrola. Já no Pronaf, os atrasos dos agricultores familiares aumentaram de 1,58% para 2,71%.
Juros afetam comércio
Refletindo os impactos dos altos juros reais, em junho, as vendas no varejo ampliado caíram 1,0% ante maio, com ajuste sazonal (+4,9% a/a). O mercado esperava queda de 1,4%. O varejo restrito avançou 0,5% na margem com ajuste sazonal (+2,9% a/a). O mercado esperava estabilidade.
Dos 10 setores, quatro avançaram e seis contraíram na margem. O destaque no mês foi "Hiper, supermercados" (+1,1% no mês), já o destaque negativo foi "Material de construção" (-3,5% no mês). Para o Itaú, na margem, as categorias sensíveis ao crédito vieram abaixo do esperado em junho, enquanto as categorias sensíveis à renda permaneceram resilientes, conforme esperado.
No trimestre, segundo o Itaú, o varejo restrito caiu 0,4%, e o ampliado -1,0%. O carrego estatístico para o terceiro trimestre aponta 0,4% no índice restrito e -0,7% no ampliado. O Bradesco lembra ser quarta queda seguida do varejo, espera alta de 0,4% do varejo segundo trimestre no PIB trimestral e mantém alta de 1,9% para o PIB do ano.